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Fifa acusa Uefa de difamação em disputa judicial sobre plano fracassado da Copa do Mundo

Entidades trocam acusações após tentativa frustrada de vender participações do Mundial a investidores; Uefa busca documentos nos EUA para embasar ação na Suíça

Fifa acusa Uefa de difamação em disputa judicial sobre plano fracassado da Copa do Mundo

Pexels / Yara Solis Fuentes

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A Fifa acusou a Uefa de promover uma "campanha difamatória" e uma "pescaria probatória" no âmbito jurídico, depois que a entidade que comanda o futebol europeu recorreu à Justiça dos Estados Unidos para obrigar a Fifa a entregar documentos relacionados a um projeto fracassado de venda de participações da Copa do Mundo a investidores privados.

O plano que gerou a crise

O polêmico projeto da Fifa de comercializar fatias do Mundial foi apresentado em julho e provocou reação imediata e negativa em diversos setores do futebol mundial. A proposta chegou a ser tão contestada que a Uefa ameaçou boicotar a própria Copa do Mundo caso a iniciativa não fosse abandonada pela entidade máxima do futebol.

Diante da repercussão negativa, a Fifa recuou rapidamente e cancelou o plano. Apesar do recuo, a Uefa decidiu não encerrar o caso e passou a preparar uma possível ação judicial contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, sob a alegação de suposta "má gestão criminosa" à frente da entidade.

Pedidos de documentos nos Estados Unidos

Na semana passada, a Uefa deu um passo concreto na disputa: apresentou pedidos formais em três estados norte-americanos para ter acesso a documentos ligados ao plano de venda de participações da Copa do Mundo. Os pedidos abrangem tanto a própria Fifa quanto parceiros que estariam envolvidos na negociação, entre eles a gestora de investimentos Thrive Capital, comandada pelo investidor Joshua Kushner, apontado como possível líder do grupo de investidores interessados no negócio.

Segundo a Uefa, caso consiga obter acesso a esses documentos, a intenção é utilizá-los para embasar uma denúncia formal a ser apresentada na Suíça, país-sede da Fifa. A entidade europeia afirma ainda ter recebido garantias de que o caso reuniria os requisitos necessários para ser analisado por um tribunal suíço.

A reação da Fifa

Diante da movimentação da Uefa, a Fifa reagiu e solicitou autorização à Justiça norte-americana para contestar formalmente os pedidos de documentos. Em petição apresentada aos tribunais dos Estados Unidos, a entidade classificou a iniciativa da confederação europeia como uma tentativa de usar o sistema judicial para fins de imagem, e não como um pedido legítimo de provas.

"Embora essas solicitações sejam apresentadas como petições legais, com títulos processuais e números de protocolo, elas não passam de comunicados de imprensa destinados a reforçar a campanha difamatória da Uefa contra a Fifa e sua liderança", afirmam os documentos apresentados pela Fifa, obtidos e analisados pela agência de notícias AFP.

Os advogados da Fifa sustentam ainda que a Uefa não teria o direito de exigir documentos internos da entidade, uma vez que não existe, até o momento, nenhum processo criminal formalmente em andamento contra a Fifa ou seus dirigentes, seja na Suíça, seja em qualquer outro país.

A defesa da Fifa argumenta que, mesmo que um processo criminal viesse a existir futuramente, a Uefa não teria legitimidade jurídica para figurar como parte interessada no caso, já que a confederação europeia não sofreu qualquer prejuízo financeiro decorrente do plano de venda de participações do Mundial, que acabou nunca sendo colocado em prática.

A entidade também acusa a Uefa de tentar contornar de forma indevida a Justiça suíça — que seria a instância natural para tratar do assunto, já que a Fifa tem sede na Suíça — ao optar por recorrer diretamente aos tribunais dos Estados Unidos em busca dos documentos.

Segundo a Fifa, a eventual divulgação desses documentos, que incluiriam correspondências trocadas por Infantino e outros dirigentes e consultores da entidade, "ameaçaria diretamente os interesses da Fifa e revelaria informações sensíveis e proprietárias".

Disputa de poder no comando do futebol mundial

Por trás da batalha judicial, está uma disputa política mais ampla pelo controle da governança do futebol internacional. A Uefa não esconde sua intenção de impedir a permanência de Gianni Infantino à frente da Fifa. O dirigente pretendia concorrer sem oposição a um quarto e último mandato à frente da entidade, em eleição marcada para março do próximo ano, embalado pelo sucesso da última Copa do Mundo organizada sob sua gestão.

A confederação europeia foi uma das vozes mais críticas ao projeto de venda de participações do Mundial, classificando publicamente a iniciativa como um "acordo obscuro, opaco e feito nos bastidores". Além da oposição direta da Uefa, o plano também encontrou resistência de outras confederações continentais, com apoio às críticas vindo da Concacaf, que reúne países da América do Norte, Central e Caribe, e da Confederação Asiática de Futebol (AFC).

Nesse cenário de disputa interna, o presidente da Concacaf, Victor Montagliani, é apontado como o potencial candidato de oposição mais forte a Infantino na eleição prevista para o comando da Fifa em março do próximo ano. O episódio amplia a crise política entre a Fifa e a Uefa e deve seguir repercutindo nos próximos meses, tanto nos tribunais dos Estados Unidos quanto em uma possível ação judicial na Suíça.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Gazeta Esportiva)

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