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Síndrome do Impostor: quando o maior crítico é você mesmo

Síndrome do Impostor: quando o maior crítico é você mesmo

Redação Tá Sabendo MT

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Você conclui um projeto importante, recebe elogios da equipe e, ainda assim, acredita que tudo aconteceu por sorte. Conquista uma promoção, mas pensa que outra pessoa faria melhor. Vive com receio de que, momento, a qualquer descubram que você não é tão competente quanto imaginam.

Esse sentimento, mais comum do que parece, tem nome: Síndrome Impostor. Apesar do da expressão ser bastante conhecida, ela não é considerada uma doença nem um transtorno psiquiátrico. Trata-se de um fenômeno psicológico que faz a pessoa enxergar suas conquistas como fruto do acaso, minimizando anos de estudo, dedicação e experiência.

Segundo a médica psiquiatra Leícia Assunção, a principal característica desse fenômeno é justamente a dificuldade de reconhecer o próprio mérito. “A pessoa acredita, sinceramente, que suas conquistas aconteceram por sorte, por coincidência ou pela ajuda de outras pessoas. Ela não consegue enxergar que chegou até ali por causa da própria competência”, explica.

Embora possa atingir pessoas de qualquer profissão, o fenômeno costuma aparecer justamente entre profissionais altamente comprometidos, exigentes consigo mesmos e acostumados a buscar excelência. “ Para a psiquiatra, sentir dúvidas antes de assumir uma nova função ou iniciar um grande projeto é natural.

O desafio passa a existir quando a insegurança se transforma em uma companhia permanente. Imagine um servidor que estudou durante anos para conquistar uma vaga no serviço público. Depois de aprovado, participa de projetos importantes, recebe reconhecimento da chefia e dos colegas, mas continua acreditando que não merece estar ali. Ao invés de comemorar os resultados, pensa que apenas teve sorte. Segundo a médica Leícia, esse padrão de pensamento costuma gerar um ciclo difícil de romper. Ela ressalta que quanto mais a pessoa conquista, maior passa a ser o medo de falhar.

E, quanto maior o medo, mais ela trabalha para provar um valor que já possui, mas consegue enxergar não Ela explica ainda que a Síndrome do Impostor é construída ao longo da vida e sofre forte influência do ambiente. Famílias muito críticas, ambientes profissionais excessivamente competitivos, falta de reconhecimento e relações marcadas por comparações constantes podem favorecer esse tipo de comportamento. "A pessoa vai ouvindo determinadas mensagens durante a vida e começa a acreditar nelas.

Aos poucos, deixa de reconhecer o próprio esforço e passa a atribuir tudo à sorte." Essa influência pode surgir em diferentes fases da vida e nos mais variados ambientes: família, escola, universidade, trabalho e até grupos sociais. Outro fator que contribui para esse sentimento é o uso das redes sociais.

Todos os dias somos expostos a imagens de viagens, promoções, conquistas profissionais, corpos considerados perfeitos e momentos felizes. O problema é esquecer que quase ninguém publica suas dificuldades. "As redes sociais favorecem a comparação. A pessoa olha para a vida dos outros e deixa de perceber tudo aquilo que também conquistou", afirma Leícia. Na prática, é como comparar os bastidores da própria vida com uma vitrine cuidadosamente montada por outras pessoas.

Esse hábito pode fazer com que profissionais experientes sintam que estão sempre atrasados em relação aos colegas, mesmo quando possuem uma carreira sólida.

Embora homens também possam desenvolver a Síndrome do Impostor, pesquisas mostram que ela aparece com maior frequência entre as mulheres. Segundo a médica, isso está relacionado a fatores históricos e sociais.

Em muitos ambientes profissionais, mulheres ainda enfrentam a necessidade constante de provar competência, recebem menos reconhecimento e convivem com desigualdades salariais.

Esse cenário favorece o surgimento da sensação de que precisam trabalhar muito mais para validar aquilo que já demonstram diariamente. Nem sempre quem vive esse fenômeno percebe que precisa de ajuda. Muitas vezes, acredita apenas que é perfeccionista ou muito autocrítico.

Entre os principais sinais estão: dificuldade para aceitar elogios; sensação constante de não ser suficientemente competente; medo exagerado de cometer erros; perfeccionismo excessivo; necessidade de provar valor o tempo todo; atribuição das conquistas à sorte; medo de ser "descoberto" como uma fraude. Esses sentimentos costumam aparecer principalmente no início da vida adulta jovem, quando aumentam as responsabilidades profissionais.

Ansiedade e depressão podem caminhar juntas Embora a Síndrome do Impostor não seja um transtorno mental, ela pode estar associada a outros quadros, principalmente ansiedade e depressão. "Na psiquiatria, muitos sintomas são parecidos.

É preciso entender toda a história pessoal e profissional do paciente antes de concluir qualquer diagnóstico”, alerta a médica psiquiatra. Segundo a médica em muitos casos são necessárias mais de uma consulta para diferenciar um fenômeno psicológico de um transtorno psiquiátrico. Se o medo de errar, a dificuldade de reconhecer conquistas e a autocrítica intensa começam a provocar sofrimento ou prejudicar o desempenho profissional, é hora de buscar orientação especializada.

A avaliação inicial deve ser feita por um psiquiatra, que verificará se existe algum transtorno associado, como ansiedade ou depressão. Já a psicoterapia é considerada a principal estratégia para enfrentar a Síndrome do Impostor.

Durante o acompanhamento, a pessoa aprende a identificar pensamentos distorcidos, reconhecer suas competências e desenvolver uma relação mais saudável consigo mesma. Não se trata de estimular arrogância ou excesso de confiança.

O objetivo é construir uma percepção equilibrada da própria trajetória.

Reconhecer o próprio trabalho é uma atitude que fortalece tanto o profissional quanto a instituição. Aceitar elogios, reconhecer resultados e compreender que ninguém precisa saber tudo o tempo inteiro não diminui a vontade de aprender, pelo contrário, profissionais que conhecem suas competências costumam buscar aperfeiçoamento de maneira mais saudável, recebem críticas construtivas com mais equilíbrio e enfrentam novos desafios com maior segurança. Como lembra a médica Leícia Assunção, dúvidas fazem parte da vida de qualquer profissional.

O que merece atenção é quando elas passam a esconder uma trajetória construída com esforço, estudo e dedicação.

Reconhecer o próprio mérito não é vaidade. É uma forma de fazer justiça à própria história, e um passo importante para preservar a saúde mental, fortalecer a autoconfiança e continuar evoluindo dentro e fora do ambiente de trabalho.

Por: Redação Tá Sabendo MT

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