Fim da escala 6x1 exige atenção aos impactos econômicos e à realidade da indústria
Redação Tá Sabendo MT
A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) manifesta preocupação com a aprovação, pelo Senado Federal, da PEC 221/2019, que prevê a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1.
A melhoria das condições de trabalho é uma pauta legítima, mas mudanças dessa dimensão exigem estudos consistentes e avaliação criteriosa dos impactos sobre o emprego, os custos de produção e a competitividade das empresas.
A conta dessa mudança não ficará restrita às empresas. Mesmo com a previsão de um período de transição, a redução da jornada sem diminuição dos salários tende a elevar o custo da hora trabalhada, exigindo o pagamento de horas extras ou a contratação de novos profissionais. Em Mato Grosso, onde a taxa de desemprego é de 2,4%, uma das menores do país, a dificuldade de contratação pode ampliar a pressão sobre os custos operacionais.
Estudo do Observatório de Mato Grosso do Sistema Fiemt, com base na RAIS 2024, estima que 167.579 vínculos de trabalho na indústria podem ser afetados, o equivalente a 84,7% do emprego industrial do estado. O custo adicional pode variar de R$ 800 milhões a R$ 1,2 bilhão por ano, com aumento estimado de 9,9% a 14,8% na folha de pagamento. Esses efeitos podem comprometer a competitividade e pressionar os preços, transferindo parte dos custos à população.
A aprovação em pleno período eleitoral, sem o aprofundamento necessário sobre todas as consequências econômicas e sociais, reforça a importância de uma implementação responsável. A realidade de Mato Grosso, com suas particularidades produtivas e operacionais, não cabe em uma regra única aplicada indistintamente a todos os setores.
A Fiemt defende que a regulamentação considere as especificidades das atividades industriais e assegure previsibilidade e segurança jurídica às empresas. A Federação acompanhará o processo de implementação da nova regra e apoiará os sindicatos industriais durante o período de transição, contribuindo para orientar os setores e avaliar os impactos da mudança.
A entidade reconhece a importância do debate sobre as condições de trabalho, mas ressalta que as mudanças precisam conciliar a qualidade de vida dos trabalhadores com a sustentabilidade das empresas, a preservação dos empregos e a capacidade de investimento da indústria.
Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt).
Por: Assessoria