Flávia Alessandra revela camadas ocultas de Fábia em "Quem Ama Cuida"
Atriz de 52 anos descreve personagem como figura complexa, marcada por contradições, ambição e dinâmica de poder por trás do estereótipo de esposa-troféu
Pexels / Rene Terp
À primeira vista, o roteiro de Fábia em "Quem Ama Cuida" parece seguir a cartilha tradicional de um melodrama: uma mulher que buscou no casamento a garantia de uma vida sem grandes percalços. No entanto, sob o olhar de Flávia Alessandra, de 52 anos, responsável por sua interpretação na novela das nove, a personagem escapa da armadilha do estereótipo superficial, revelando-se muito mais complexa do que aparenta à primeira análise.
Por trás das roupas marcantes, da maquiagem impecável e até mesmo do rótulo reducionista de "esposa-troféu", esconde-se uma figura marcada por contradições, ambição e uma dinâmica de poder bastante particular dentro do lar. Em entrevista à CNN Brasil, a atriz detalhou os bastidores da construção dessa personagem, que integra o elenco da trama escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto.
O casamento como pilar da trama
Na novela, a relação de Fábia com o marido, Ulisses, vivido pelo ator Alexandre Borges, de 60 anos, funciona como o verdadeiro alicerce da história, tanto no aspecto social quanto no afetivo. Segundo Flávia Alessandra, esse vínculo vai muito além do simples interesse financeiro, configurando-se como uma troca que envolve conveniência mútua, mas também afetos genuínos.
A atriz explica que o passado de Fábia ainda guarda muitos mistérios a serem revelados ao longo da trama, mas que a busca por estabilidade certamente foi um fator determinante na escolha pelo casamento com Ulisses.
"A Fábia tem muitos mistérios no passado que ainda serão descobertos, mas a busca por estabilidade certamente foi um fator determinante. Ela ama o Ulisses, mas porque ele é o combo perfeito: dá o suporte financeiro que para ela é primordial — afinal, ela é uma mulher que custa caro e precisa de quem a banque —, mas também deu apoio emocional e assumiu o filho dela de outro relacionamento", explicou Flávia Alessandra em entrevista à CNN Brasil.
A atriz também destaca um contraponto importante sobre esse tipo de personagem dentro da narrativa, ressaltando que, apesar da aparência de futilidade, essas mulheres exercem controle real sobre suas famílias e relacionamentos.
"Mas há um contraponto muito interessante nesse núcleo: por mais que pareçam apenas peruas e dondocas, essas mulheres são muito fortes. São elas que dão as cartas, que tomam as decisões e comandam os lares nos bastidores", acrescentou a atriz.
Uma estética marcada pelo excesso e por compulsões silenciosas
Para dar forma a essa personalidade em constante estado de alerta, a construção cênica de Flávia Alessandra apostou no uso contínuo de objetos de cena que funcionam como verdadeiras válvulas de escape emocional para a personagem. A presença constante de um pirulito na boca, de chiclete ou de um copo térmico não serve apenas como marca registrada que acompanha o figurino elaborado de Fábia, mas atua como sintoma físico de uma ansiedade que a consome por dentro.
Esse comportamento reflete também a atmosfera de um núcleo familiar aparentemente perfeito, mas que é atravessado por vícios e disfunções não ditas abertamente. Enquanto o marido Ulisses enfrenta uma compulsão oculta por jogos, Fábia canaliza suas próprias lacunas emocionais para o consumo excessivo e para uma fixação de ordem oral.
"Eu vejo essa família com muitas disfunções subliminares. É o marido com o jogo e a Fábia com as compras e com essa compulsão oral de estar sempre bebendo, mastigando ou com um pirulito na boca. A gente criou esse hábito como um suporte emocional para os vazios e lacunas do passado dela", detalhou a atriz.
A intérprete de Fábia complementa a análise afirmando que a personagem sabe estar inserida em um ambiente social onde nem tudo é aceito abertamente, o que faz do pirulito quase um substituto para um vício mais evidente, funcionando como apoio em momentos de tensão.
"Ela sabe que não está em um ambiente onde tudo é aceito, então o pirulito vira quase o 'cigarrinho' de apoio em momentos de tensão. Não é uma mulher em plena harmonia. Para quem entende de temas como ansiedade e compulsão, a mensagem já ficou muito clara", acrescentou Flávia Alessandra.
O desafio de revelar as camadas aos poucos
A transição entre a futilidade escancarada de Fábia e a revelação gradual de suas fragilidades internas tem sido o principal exercício dramático enfrentado por Flávia Alessandra ao longo das gravações de "Quem Ama Cuida". Segundo a artista, o trunfo do texto está justamente na capacidade de não entregar todas as informações sobre a personagem de uma só vez, mantendo o público dividido entre o riso e a empatia pela trajetória dela.
A atriz reforça que, embora a sociedade e a própria família enxerguem Fábia como uma mulher fútil, a personagem carrega camadas internas que ainda serão reveladas conforme a novela avança, exigindo da atriz um cuidado especial na dosagem de cada cena.
"Teoricamente, a Fábia é essa mulher fútil para a sociedade e para a família, mas ela carrega camadas internas que ainda vamos revelar. O meu grande desafio criativo a cada cena é entender que não posso entregar tudo de uma vez. Existe um limite no tempo dessa narrativa. É um equilibrar de pratos desafiador, mas fascinante", concluiu Flávia Alessandra.
A novela "Quem Ama Cuida", assinada por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, segue em exibição na faixa das nove da Globo, com Flávia Alessandra e Alexandre Borges no elenco principal ao lado de outros nomes que compõem o núcleo social retratado na trama.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de CNN Brasil)