CPI da Saúde aponta mais de R$ 750 milhões em pagamentos a empresas investigadas na Operação Espelho
Redação Tá Sabendo MT
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso aponta que R$ 750,5 milhões foram pagos a empresas relacionadas às investigações da Operação Espelho, da Polícia Civil. Segundo o relatório parcial apresentado pela comissão, os valores correspondem a pagamentos indenizatórios realizados sem cobertura contratual prévia.
O documento afirma ainda que, considerando outras prestadoras de serviços da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), o volume de pagamentos indenizatórios no período analisado ultrapassaria R$ 1 bilhão.
Entre os principais pontos levantados pela CPI estão contratos vencidos, continuidade de serviços sem cobertura contratual, fragilidades na fiscalização e divergências em registros de frequência e escalas médicas.
Um dos casos citados envolve a empresa LGI Médicos. Conforme o relatório, foram identificados 67 mini-plantões com ausência documentada, além de períodos sem registros no sistema utilizado para acompanhamento dos atendimentos. O documento também menciona uma glosa de R$ 161,35 mil relacionada à inexecução de serviços.
A CPI aponta ainda possíveis irregularidades envolvendo empresas como Bone Medicina, Medtrauma e Grupo Curat/Intensive Care. Entre os problemas relacionados estão pagamentos indenizatórios, possível sobrepreço, suspeitas de atuação coordenada e prestação de serviços sem a documentação considerada necessária.
O relatório também aponta responsabilidades em diferentes níveis da administração pública, incluindo gestores, ordenadores de despesas, fiscais de contratos e gestores de unidades hospitalares. As conclusões, porém, integram o trabalho investigativo da CPI e não equivalem, por si só, a uma condenação judicial.
Na área assistencial, o documento cita contratos de unidades de terapia intensiva (UTIs) nos quais, segundo a comissão, não teria sido cumprida a exigência mínima de médicos especialistas em medicina intensiva.
Entre os encaminhamentos sugeridos estão a realização de tomadas de contas para quantificar eventual prejuízo ao erário, bloqueio e recuperação de ativos, abertura de processos administrativos contra empresas e o envio de informações a órgãos de controle.
A CPI também propõe o encaminhamento de dados relacionados a R$ 109,1 milhões em recursos federais ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Federal.
As conclusões apresentadas são parciais e ainda fazem parte do processo de investigação da comissão. A CPI da Saúde foi criada em fevereiro de 2026 para apurar denúncias de irregularidades em procedimentos licitatórios da SES-MT relacionados ao período inicialmente definido de 2019 a 2023; posteriormente, o alcance da investigação foi ampliado.
Por: Redação Tá Sabendo MT