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Por que algumas pessoas não conseguem parar?

Por que algumas pessoas não conseguem parar?

Redação Tá Sabendo MT

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Hoje em dia, parece que estamos sempre procurando alguma coisa que ainda não encontramos, ou caminhando em direção a algum lugar que parece estar sempre um pouco mais adiante.

Uma tarefa termina e outra já ocupa o pensamento. Um trabalho chega ao fim, mas a cabeça se antecipa ao que virá amanhã. O expediente acaba, a pessoa vai para casa, mas continua pensando no que ficou pendente, no que precisa ser resolvido, na reunião do dia seguinte.

Quando chegam as férias, espera-se que finalmente haja tempo para descansar. E há. Mas, depois de alguns dias, surge a vontade de conferir os e-mails, acompanhar alguma pendência, saber o que está acontecendo. O trabalho, que deveria ter ficado para trás, encontra uma maneira de acompanhá-la. É curioso.

Passa-se tanto tempo desejando ter mais tempo e, quando ele finalmente aparece, nem sempre se sabe o que fazer com ele.

Talvez porque, para algumas pessoas, estar ocupada tenha se tornado mais do que uma rotina. Pois, enquanto existe alguma coisa para fazer, em última instância, existe uma direção. Há sempre uma próxima tarefa, um problema para resolver, uma meta para alcançar. E chegar ao fim de uma coisa significa apenas começar outra.

A pessoa segue em frente, muitas vezes sem perceber que já não está apenas realizando tarefas. Está vivendo em permanente estado de antecipação.

Na psiquiatria, esse funcionamento merece atenção justamente por aquilo que acontece quando o movimento diminui.

Algumas pessoas experimentam inquietação, ansiedade ou uma sensação de vazio quando não há nada urgente para fazer. Outras percebem que, quando o ritmo desacelera, pensamentos e sentimentos que permaneciam em segundo plano começam a aparecer.

Por isso, parar pode ser mais difícil do que parece. Não necessariamente porque falte tempo, mas porque o silêncio que surge quando as tarefas desaparecem pode ser desconfortável.

E então a vida começa a cobrar o preço desse movimento contínuo. O descanso já não descansa. As férias passam sem que a pessoa consiga realmente se desligar. O sono perde qualidade.

A irritabilidade aparece. O convívio com quem se ama fica restrito aos intervalos entre uma obrigação e outra. Até aquilo que antes proporcionava prazer pode começar a parecer distante.

Não porque exista necessariamente um grande problema em curso.

Às vezes, é apenas o resultado de tanto tempo vivido na expectativa do próximo momento que se esquece de estar no momento que existe.

Possivelmente seja essa a contradição mais silenciosa: a pessoa trabalha para ter mais tempo, espera as férias para descansar, organiza a vida para chegar a algum lugar e, quando finalmente chega, já está pensando no próximo destino.

A jornada continua. Mas em direção a quê?

Talvez algumas pessoas tenham se acostumado tanto a caminhar que já não percebam quando chegaram. Diante deste contexto, parar, em alguns momentos, não seja perder tempo.

Seja perceber que o lugar para o qual se caminhava já não é necessariamente o lugar onde se deseja estar.

Dra Leícia Assunção - médica psiquiatra e intevercionista

Por: Redação Tá Sabendo MT

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