Opioides: o que são, para que servem, tipos e efeitos colaterais
Medicamentos usados para dor intensa e anestesia podem causar tolerância, dependência e risco de overdose quando usados fora da orientação médica
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Os opioides são medicamentos com forte ação analgésica e sedativa, utilizados para aliviar dores intensas ou para induzir anestesia em cirurgias, combinados a outros anestésicos. Esses remédios reduzem a sensação de dor, provocam bem-estar e causam sonolência, características que os tornam eficazes no controle de quadros dolorosos graves, mas também exigem cuidado no uso.
O que são e de onde vêm os opioides
De acordo com a farmacêutica Flávia Costa, responsável pela revisão clínica do conteúdo, os opioides podem ter origem natural, sintética ou semissintética. Os naturais são extraídos da resina da papoula do ópio, planta cujo nome científico é Papaver somniferum, e incluem substâncias como morfina e codeína.
Já os opioides sintéticos e semissintéticos são produzidos em laboratório a partir de modificações químicas na molécula de morfina, como é o caso do propoxifeno e da heroína — esta última utilizada, inclusive, como droga de abuso. Quando fabricados dessa forma, esses compostos recebem também a denominação de opiáceos.
"Os opioides devem ser usados apenas com indicação médica, pois podem causar tolerância e dependência química, além de efeitos colaterais graves, como parada respiratória, principalmente quando usados em doses maiores do que as recomendadas", explica a farmacêutica Flávia Costa.
Para que servem e como são administrados
Os opioides são indicados principalmente para o alívio de dores fortes e para auxiliar em processos anestésicos durante cirurgias. Dependendo do tipo de opioide, a administração pode ocorrer por via oral, por meio de adesivos transdérmicos aplicados sobre a pele, ou por injeção — na veia, no músculo, sob a pele, na região epidural ou intratecal.
Como os opioides atuam no organismo
O mecanismo de ação dos opioides envolve a ligação a receptores específicos no sistema nervoso central, especialmente no cérebro e na medula espinhal. Esses receptores são classificados principalmente em três tipos: mu, kappa e delta. A ativação desses receptores provoca sensação de bem-estar e sonolência, motivo pelo qual esses medicamentos também são chamados de narcóticos.
Além dos receptores no sistema nervoso central, existem também receptores opioides periféricos, presentes principalmente no trato gastrointestinal. A ativação desses receptores reduz os movimentos intestinais, o que explica por que a prisão de ventre é um dos efeitos colaterais comuns associados ao uso desses remédios.
Justamente por causa desses efeitos, os opioides são frequentemente utilizados como drogas de abuso em diversos países, provocando overdoses e mortes. Esse cenário deu origem ao que especialistas denominam crise dos opioides, um problema de saúde pública observado internacionalmente.
Tipos de opioides
Os opioides naturais são obtidos diretamente da resina da papoula do ópio e incluem substâncias como morfina, codeína, tebaína e papaverina. Além dos opioides extraídos da planta, o próprio corpo humano produz substâncias semelhantes, chamadas opioides endógenos, entre elas as endorfinas e as encefalinas.
Os opioides semissintéticos são fabricados em laboratório por meio de modificações parciais na estrutura da morfina ou da codeína. Exemplos desse grupo incluem buprenorfina, hidrocodona, diidrocodeína e diamorfina. A heroína, utilizada como droga de abuso, também é classificada como um opioide semissintético.
Já os opioides sintéticos são criados inteiramente em laboratório, com ação semelhante à dos naturais ou semissintéticos, mas sem derivar diretamente da molécula de morfina ou codeína. Fazem parte desse grupo o fentanil, o sulfentanil, a metadona, o butorfanol, a pentazocina, a oxicodona e o dextropropoxifeno.
Efeitos colaterais associados ao uso
Entre os principais efeitos colaterais dos opioides está a tolerância, fenômeno em que o efeito do medicamento diminui após uso repetido, levando o organismo a necessitar de doses progressivamente maiores para alcançar o mesmo resultado terapêutico.
Outro efeito relevante é a dependência química, identificada por sinais como dificuldade em controlar a vontade de usar o opioide ou aumento progressivo da dose e da frequência de uso. Esses sintomas fazem parte do quadro mais amplo de dependência química associado a essa classe de medicamentos.
Por que os opioides viciam
Segundo a farmacêutica Flávia Costa, os opioides alteram a forma como o corpo reage à dor e provocam sensação de bem-estar e euforia, de maneira semelhante às endorfinas produzidas naturalmente pelo organismo. Com o uso continuado, o cérebro passa a depender dessas substâncias externas para sentir o mesmo efeito, criando um sistema de recompensa artificial.
Essa alteração cerebral pode chegar a reduzir ou interromper a produção natural de endorfinas pelo próprio corpo, tornando o organismo dependente do opioide para funcionar normalmente. É esse mecanismo que pode levar tanto à overdose quanto à síndrome de abstinência, quadro que surge quando o uso do medicamento é interrompido.
Overdose de opioides e tratamento de emergência
A overdose de opioides ocorre quando o medicamento é usado em quantidades superiores às recomendadas pelo médico, ou quando consumido como droga de abuso, atingindo níveis tóxicos para o organismo e provocando efeitos colaterais graves. Nesses casos, o risco à vida é real e exige atendimento médico imediato, com procura pelo pronto-socorro mais próximo assim que os sintomas surgirem.
O tratamento hospitalar da overdose é feito com medicamentos antagonistas de opioides, como a naloxona, associados a medidas de suporte para manter os sinais vitais estáveis e evitar complicações graves, incluindo o óbito.
Cuidados recomendados durante o tratamento
Entre os cuidados essenciais está seguir rigorosamente a dose e o tempo de tratamento indicados pelo médico. Recomenda-se ainda evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante o uso de opioides, já que essa combinação aumenta o risco de efeitos colaterais graves, como sedação intensa ou depressão respiratória.
É fundamental que o paciente fique atento a sinais de tolerância e dependência, comunicando qualquer alteração ao médico responsável, de forma a ajustar o tratamento e evitar sintomas de abstinência quando o uso do medicamento for interrompido. Em casos de prisão de ventre durante o tratamento, orienta-se aumentar a ingestão de água e de alimentos ricos em fibras, como grãos inteiros, frutas e vegetais frescos, para aliviar o desconforto intestinal.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Tua Saúde)