Putin acusa rivais ocidentais do Brics de tentar recuperar liderança de forma imprópria
Presidente russo fez a declaração em fórum empresarial na Índia, na véspera da cúpula anual do bloco em Nova Déli
Wikimedia Commons / Пресс-служба Президента РФ
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (11) que os concorrentes ocidentais do Brics estão tentando recuperar sua "antiga liderança" econômica por meios considerados impróprios. A declaração foi feita durante visita à Índia para participar da cúpula anual do bloco, que reúne Rússia, Índia, China, Brasil e outras nações emergentes em Nova Déli.
Ao discursar no fórum empresarial do Brics, Putin apontou que países europeus estariam recorrendo a práticas como destruição de instalações e gasodutos, além da apreensão de embarcações, como estratégias para manter sua primazia econômica global frente ao avanço do bloco liderado por potências emergentes.
Encontro entre Putin e Modi antecede cúpula
Nesta sexta-feira (11), o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e Putin iniciaram conversas em Nova Déli, marcando o segundo encontro entre os líderes em apenas duas semanas. As negociações bilaterais têm como foco principal áreas de comércio, energia e defesa, temas centrais na relação de longa data entre os dois países.
Segundo uma fonte indiana ouvida pela Reuters, os líderes devem discutir cooperação em energia nuclear civil, fertilizantes, defesa, minerais críticos, manufatura, ferrovias e siderurgia. As conversas ocorrem na véspera da cúpula anual de líderes do Brics na capital indiana, que também contará com a presença do presidente chinês, Xi Jinping, e do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, entre outros representantes do bloco.
Putin e Modi já haviam se encontrado em 31 de agosto, à margem da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, realizada em Bishkek, no Quirguistão. Naquela ocasião, Modi disse a Putin que a guerra na Ucrânia precisava terminar "pelo bem da humanidade" e que Nova Déli apoiaria todos os esforços de paz voltados a encerrar os combates.
Dependência energética e resistência a pressões
A Índia, assim como a China, figura entre as maiores compradoras de petróleo russo, movimento visto por analistas como fundamental para ajudar Moscou a reabastecer seu orçamento desde o envio de dezenas de milhares de soldados à Ucrânia em 2022 e a imposição de amplas sanções ocidentais contra a Rússia.
Apesar da pressão internacional, a Índia tem buscado resistir a apelos para reduzir suas compras de energia russa, alegando que sua grande população e sua economia necessitam de um fornecimento energético seguro, acessível e confiável. Nova Déli também afirmou que o conflito na Ucrânia só pode ser resolvido por meio do diálogo e da diplomacia, e não pela interrupção do comércio de energia, metais ou fertilizantes com a Rússia promovida por alguns países ocidentais.
Dados citados na reportagem mostram que a participação da Rússia nas importações indianas de petróleo bruto aumentou ao longo de 2026, atingindo um recorde de 51% em julho, à medida que interrupções no fornecimento proveniente do Oriente Médio elevaram a dependência das refinarias indianas em relação ao petróleo russo. Segundo relatos da mídia indiana, essa participação provavelmente recuou em agosto, período em que a China intensificou suas próprias compras de petróleo russo.
Histórico de aproximação entre Rússia e Índia
A visita de Putin à Índia nesta semana não é a primeira do tipo recente: o presidente russo já havia visitado o país em dezembro de 2025 para a cúpula anual Índia-Rússia. Na ocasião, os dois países concordaram em expandir suas relações comerciais e de defesa, dando sequência a uma parceria estratégica que se aprofunda em meio ao cenário de sanções ocidentais contra Moscou.
A cúpula do Brics em Nova Déli deve aprofundar discussões sobre a posição do bloco frente às potências ocidentais, em um momento de reconfiguração das alianças econômicas globais e de tensões persistentes ligadas à guerra na Ucrânia.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de CNN Brasil)