Saúde

Por que a febre costuma piorar durante a noite

Por que a febre costuma piorar durante a noite

Wikimedia Commons / Menchi

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A sensação de que a febre piora durante a noite tem explicação científica e está relacionada ao funcionamento natural do corpo humano, que fica mais quente no início da noite, período em que uma eventual infecção aproveita esse ritmo para se manifestar com mais intensidade.

O ritmo circadiano térmico

A temperatura corporal não é constante ao longo do dia: ela varia conforme o chamado ritmo circadiano térmico. Segundo especialistas, os valores mais baixos ocorrem no fim da madrugada, entre 4h e 6h, enquanto o pico de temperatura acontece no fim da tarde e início da noite, entre 16h e 20h. Essa oscilação natural pode chegar a até 1°C de diferença ao longo do dia.

Esse mesmo padrão se repete quando a pessoa está com febre, mas em um patamar mais elevado. Isso significa que uma febre discreta durante a tarde pode parecer muito mais intensa na hora de dormir, mesmo sem que tenha havido uma piora real do quadro de saúde.

"Uma febre que mal aparece à tarde, com 37,8ºC, pode marcar 38,8ºC ou 39ºC na hora de dormir, mesmo sem nenhuma piora real do quadro", explica Marco Aurélio Sáfadi, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Queda do cortisol e ação das citocinas

Ao longo da noite, ocorre uma redução natural dos níveis de cortisol, hormônio que possui ação anti-inflamatória no organismo. Com essa queda, sintomas como a febre tendem a se intensificar justamente no período noturno.

Em contrapartida, há um aumento da atividade de substâncias chamadas citocinas pró-inflamatórias, como IL-6, IL-1 e TNF-alfa, que atuam elevando a temperatura corporal. Essas substâncias fazem parte da resposta natural do sistema imunológico diante de uma infecção.

A febre, nesse contexto, integra a estratégia de defesa do próprio organismo, que intensifica a resposta imunológica justamente durante o período de sono. O aumento da temperatura corporal dificulta a multiplicação de vírus e bactérias, funcionando como um mecanismo de proteção.

"A presença de febre indica um processo de ativação anormal da imunidade", afirma o Dr. Luiz Fernando Degrecci Relvas, supervisor médico de Infectologia e Clínica Médica do Hospital Santa Marcelina.

Percepção também pesa

Além dos fatores biológicos, existe um componente de percepção que contribui para a sensação de piora noturna. Durante a noite, sem as distrações e atividades do dia, o desconforto causado pela febre tende a ser percebido de forma mais intensa pelo paciente.

Outro elemento é a transpiração. Como o corpo permanece mais parado durante o sono, há menor produção de suor, o que impede que o calor da pele se dissipe adequadamente. Esse acúmulo de calor na superfície da pele reforça a sensação de que a febre está mais forte do que realmente está.

Quando a febre exige atenção

Apesar da percepção de piora noturna, isso não significa necessariamente um agravamento da doença. Em quadros comuns, como gripes e viroses, a febre só é considerada preocupante quando ultrapassa 39,5°C ou quando vem acompanhada de outros sinais de alerta, como suor excessivo e perda de peso involuntária.

Por outro lado, algumas doenças específicas apresentam padrões característicos de febre relacionados ao horário. É o caso da tuberculose, que costuma provocar febre majoritariamente no final da tarde e início da noite.

"Algumas infecções crônicas também fazem isso, assim como certos tipos de neoplasia, especialmente os linfomas", explica o Dr. Relvas, ao detalhar outras condições que seguem esse mesmo padrão de manifestação.

O que observar durante o quadro febril

Segundo os especialistas consultados, toda febre merece atenção, mas não é necessário monitorar a temperatura durante toda a noite com o termômetro. O mais relevante é observar a presença de outros sintomas associados, como dificuldade para respirar, confusão mental, dores abdominais e vômitos.

"Importa menos o horário e mais o contexto clínico. Idade, doenças prévias, uso de medicamentos, viagens recentes, sintomas associados e duração dos sintomas pesam mais do que o ponteiro do relógio", conclui o Dr. Sáfadi.

A recomendação dos médicos é que, diante de febre persistente ou acompanhada de sintomas de alerta, o paciente procure avaliação médica, independentemente do horário em que os sintomas pareçam mais intensos.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Superinteressante)

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