Cientistas desenvolvem técnica de edição genética mais precisa que a Crispr
Método batizado de 'base editing' substitui letras do DNA em embriões humanos e promete maior segurança na correção de doenças genéticas
Wikimedia Commons / Fabian Fauth fabster74
Um grupo de pesquisadores da Universidade Columbia, em Nova York, liderado pelo geneticista Dieter Egli, publicou um estudo científico apresentando uma nova técnica para editar o DNA de embriões humanos. Batizada de 'base editing' (edição de base, em tradução livre), a técnica é apontada como mais precisa e potencialmente mais segura do que a Crispr, método atualmente mais utilizado em pesquisas genéticas.
Como funciona a nova técnica
A base editing consiste em inserir nos embriões uma proteína especialmente construída para realizar uma troca específica entre as 'letras' que compõem o código genético. Essa proteína substitui a adenina (A) pela guanina (G), duas das quatro bases nitrogenadas que formam o DNA.
Junto com essa proteína, os cientistas utilizam um pequeno pedaço de RNA que funciona como um guia. É esse fragmento de RNA que conduz a proteína até os genes exatos onde a modificação precisa ser feita, garantindo maior precisão na intervenção genética.
Segundo o estudo publicado pelo grupo de Egli, intitulado 'Efficient base editing and development in human embryos without chromosomal alterations', os cientistas utilizaram o novo método para alterar dois genes específicos: o PCSK9, associado a problemas cardíacos, e o HBG, relacionado à talassemia, uma doença sanguínea que provoca anemia.
Diferenças em relação à técnica Crispr
A base editing é considerada bem mais precisa, e supostamente mais segura, do que a Crispr, ferramenta que se tornou a mais popular entre pesquisadores de genética nos últimos anos. Experiências realizadas com a Crispr mostraram, no entanto, riscos importantes que ainda limitam sua aplicação segura em seres humanos.
Estudos recentes indicaram que a Crispr pode acabar alterando outros genes além daquele que era o alvo original da edição, um efeito colateral indesejado conhecido como edição fora do alvo. Além disso, a técnica também já demonstrou potencial para provocar a destruição de cromossomos inteiros durante o processo de edição.
Por conta desses riscos, a Crispr não é considerada confiável para uso amplo no DNA humano, especialmente em embriões que seriam gestados até o nascimento. É justamente nesse contexto de busca por alternativas mais seguras que a base editing surge como uma possibilidade promissora.
O caso do cientista chinês He Jiankui
A preocupação com a segurança na edição genética de embriões ganhou repercussão mundial em 2018, quando o cientista chinês He Jiankui afirmou ter utilizado a técnica Crispr para editar o código genético de dois embriões humanos.
Os embriões modificados por He Jiankui foram gestados e resultaram no nascimento de bebês geneticamente alterados, em um experimento que gerou forte reação da comunidade científica internacional por questões éticas e de segurança. O cientista chinês acabou condenado a três anos de prisão em decorrência do caso.
O episódio reforçou entre pesquisadores a necessidade de desenvolver métodos de edição genética mais seguros e controlados antes que técnicas do tipo pudessem ser consideradas para uso terapêutico em humanos, o que ajuda a explicar o interesse gerado pela nova técnica de base editing apresentada pelo grupo da Universidade Columbia.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Superinteressante)