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Por que alguns boletos bancários vêm protegidos por senha

Prática se tornou mais comum após a LGPD e ajuda a evitar fraudes causadas por vírus que alteram códigos de pagamento

Por que alguns boletos bancários vêm protegidos por senha

Wikimedia Commons / Wikimedia Commons

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Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais comum encontrar boletos bancários que exigem uma senha para serem abertos ou visualizados. A prática, adotada por diversas empresas em todo o país, está diretamente relacionada à proteção de dados pessoais dos clientes e ganhou força a partir da implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em 2020, que passou a exigir maior responsabilidade das companhias no tratamento de informações como CPF e endereço dos consumidores.

Segurança digital e responsabilidade das empresas

Segundo Washington Fonseca, professor de pós-graduação do IBMEC e sócio do escritório FMIS Law, onde atua na área de Direito Corporativo, não existe uma determinação do Banco Central que obrigue especificamente o uso de senhas em boletos ou documentos financeiros. Trata-se, na verdade, de uma medida extra de segurança que cada instituição decide adotar por conta própria.

Fonseca explica que a decisão de proteger os boletos com senha parte das próprias empresas emissoras, principalmente como forma de reforçar a proteção dos dados dos clientes frente às exigências legais.

"Não existe uma norma específica do Banco Central (BC) que obrigue o uso de senha para acesso a boletos ou documentos financeiros. Trata-se de uma camada adicional de segurança adotada por algumas instituições financeiras e empresas, principalmente como forma de proteção dos dados dos clientes", explica Washington Fonseca, professor de pós-graduação do IBMEC e sócio do escritório FMIS Law.

Ao longo dos últimos seis anos, diversas grandes companhias passaram a incorporar ferramentas e softwares capazes de criptografar boletos, tornando-os acessíveis apenas por meio de senha. Ainda assim, essa não é uma exigência legal obrigatória — cabe a cada empresa emissora decidir se irá ou não aplicar esse recurso adicional de segurança.

Ausência de padronização nos sistemas de proteção

De acordo com Fonseca, também não há uma regulamentação geral que estabeleça como essas senhas devem funcionar. Por isso, os métodos de proteção variam bastante de uma instituição para outra: algumas optam por autenticação via aplicativo, outras enviam tokens de verificação, outras validam o acesso por meio do CPF do cliente, e há ainda aquelas que utilizam senhas previamente cadastradas pelo próprio consumidor.

"Não existe um padrão único ou uma regulamentação específica que determine como essas senhas devem ser implementadas. Na prática, cada instituição define os mecanismos de segurança que considera mais adequados", completa Washington Fonseca.

Essa diversidade de métodos reflete a autonomia que as empresas têm para escolher a tecnologia e o nível de segurança que melhor se adequam ao seu tipo de operação e ao perfil de seus clientes.

Proteção contra vírus e fraudes em boletos

Além de atender às exigências de segurança impostas pela LGPD, o uso de senhas em boletos também funciona como uma barreira importante contra a ação de golpistas digitais. Segundo Daniel de Morais, consultor de desenvolvimento do ACBr Boleto — solução de emissão de boletos vinculada à comunidade open source ACBr —, existem vírus específicos capazes de alterar tanto a linha digitável quanto o código de barras de um boleto que não esteja criptografado.

"Existem alguns vírus específicos que têm a capacidade de alterar a linha digitável e o código de barras do boleto quando ele não está criptografado. Então, quando a pessoa realiza o pagamento, o dinheiro vai para a conta do golpista. A invasão ocorre durante o carregamento do PDF do boleto. Existe até um termo para isso: boleto malware, vírus específicos para boletos", explica Daniel de Morais, consultor de desenvolvimento do ACBr Boleto.

Conforme detalhado por Morais, esse tipo de invasão ocorre justamente no momento em que o arquivo PDF do boleto é carregado no dispositivo da vítima. É nesse instante que o vírus consegue agir, modificando os dados de pagamento sem que o usuário perceba.

Esses vírus normalmente chegam aos computadores e celulares das vítimas por meio de e-mails falsos, downloads de arquivos maliciosos, sites não confiáveis, entre outras formas de contaminação digital. Um dos aspectos mais perigosos desse tipo de fraude é que, na maioria dos casos, os valores exibidos no boleto não são alterados — apenas o destino do pagamento é modificado —, o que torna a identificação da fraude bastante difícil para quem está pagando.

Quando o arquivo PDF do boleto está protegido por senha, o vírus perde a capacidade de ler o conteúdo do documento ou de alterar suas informações. Em muitas situações, o malware nem consegue identificar que aquele arquivo criptografado se trata, de fato, de um boleto bancário, o que neutraliza completamente a tentativa de fraude.

Como identificar um boleto legítimo

Para se proteger de possíveis fraudes, especialistas recomendam que os consumidores sempre verifiquem a origem do boleto recebido e analisem com atenção todos os dados exibidos no momento do pagamento — não apenas o valor da cobrança, mas também informações como o nome do beneficiário, o CNPJ da empresa emissora e o banco responsável pela transação.

Outra medida recomendada é confirmar diretamente com o banco ou com a empresa emissora se aquele boleto específico é realmente válido, principalmente em casos de cobranças inesperadas ou de valores incomuns. Essa checagem adicional pode evitar prejuízos financeiros e garantir que o pagamento chegue efetivamente ao destinatário correto.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Superinteressante)

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