Agronegócio

Açúcar sobe em Nova Iorque e Londres com temores sobre oferta global em 2026/27

Contratos futuros avançam nas duas bolsas nesta terça-feira, enquanto consultorias revisam para baixo estimativas de produção e ampliam projeções de déficit mundial

Açúcar sobe em Nova Iorque e Londres com temores sobre oferta global em 2026/27

Pexels / Matheus Bertelli

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Os preços do açúcar operam em alta nas bolsas internacionais nesta terça-feira, dia 1º de setembro de 2026, com os contratos negociados em Nova Iorque e Londres avançando diante das preocupações do mercado com a oferta global para a temporada 2026/27. Investidores mantêm no radar as sucessivas revisões para baixo nas estimativas de produção mundial e as projeções de déficit que vêm sendo divulgadas por diferentes consultorias do setor.

Cotações em alta nas duas praças

Por volta das 12h no horário de Brasília, o contrato de outubro em Nova Iorque era negociado a 17,95 cents por libra-peso, o que representa alta de 14 pontos no pregão. O contrato com vencimento em março de 2027 avançava 12 pontos, cotado a 18,95 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato de outubro subia 103 pontos, sendo comercializado a US$ 524,70 por tonelada, enquanto o contrato de dezembro registrava avanço ainda mais expressivo, de 500 pontos, negociado a US$ 525,30 por tonelada.

No pregão anterior, referente à segunda-feira, dia 31 de agosto, o mercado futuro do açúcar já havia fechado em alta na Bolsa de Nova Iorque. Naquela sessão, o contrato de outubro avançou 25 pontos, encerrando cotado a 17,81 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, no entanto, as negociações permaneceram suspensas na segunda-feira devido ao feriado de verão observado na praça.

Preços ainda abaixo de máximas recentes

Apesar da valorização registrada no início desta semana, o açúcar negociado em Nova Iorque ainda se mantém abaixo da máxima alcançada na última sexta-feira, dia 28 de agosto, quando os contratos atingiram o maior nível em cerca de 16 meses.

Em Londres, as cotações também acumulam forte valorização nas últimas semanas e chegaram, na quinta-feira anterior, dia 27 de agosto, ao maior patamar em aproximadamente 17 meses. O movimento de alta observado nesta terça-feira ocorre principalmente em razão das preocupações crescentes com a disponibilidade de açúcar na próxima temporada, já que as estimativas mais recentes apontam para uma oferta global mais apertada em 2026/27.

Produção da União Europeia deve recuar 19%

Um dos fatores que sustentam a valorização do mercado é a expectativa de queda expressiva na produção da União Europeia. O Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia informou, na última quinta-feira, que a produção do bloco deve recuar 19% em relação à temporada anterior, somando 13,4 milhões de toneladas.

A perspectiva de menor produção na Europa aumenta a preocupação com a disponibilidade da commodity no mercado internacional e reforça as apostas dos operadores em um cenário de oferta global mais restrita para a próxima safra.

Consultorias ampliam projeções de déficit mundial

Além da queda esperada na produção europeia, as projeções de déficit mundial também vêm sendo ampliadas por diferentes consultorias especializadas no mercado de açúcar, o que contribui para sustentar os preços nas bolsas internacionais.

A Green Pool Commodity Specialists estima um déficit global de 3,2 milhões de toneladas de açúcar para a safra 2026/27. Já para a temporada 2025/26, a consultoria reduziu a previsão de superávit para 4,85 milhões de toneladas, ante uma estimativa anterior de 4,93 milhões de toneladas.

A Covrig Analytics também revisou suas projeções recentemente e passou a estimar um déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, revertendo a previsão anterior, que apontava um superávit de 100 mil toneladas.

Na mesma direção, a StoneX elevou, em 28 de julho, sua estimativa de déficit mundial para 1,7 milhão de toneladas, valor bem superior às 550 mil toneladas projetadas anteriormente pela consultoria.

Já a Czarnikow revisou, em junho, o balanço global para a safra 2026/27. A empresa passou de uma expectativa de superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, mudança significativa na leitura sobre o equilíbrio entre oferta e demanda mundial.

Entre os fatores considerados pela Czarnikow para essa revisão está a possibilidade de maior direcionamento da cana-de-açúcar produzida no Brasil para a fabricação de etanol, o que reduziria a quantidade de matéria-prima destinada especificamente à produção de açúcar.

Mercado de olho na sustentação dos preços

Com diferentes regiões produtoras apresentando perspectivas de menor produção e as projeções de déficit ganhando força entre as principais consultorias do setor, o mercado internacional mantém a oferta global como o principal ponto de atenção nos próximos pregões.

Ao mesmo tempo, os investidores acompanham de perto o comportamento das cotações após a forte valorização registrada ao longo de agosto, avaliando se o cenário de menor disponibilidade projetado para 2026/27 será suficiente para sustentar os preços do açúcar nas bolsas de Nova Iorque e Londres nas próximas semanas.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Notícias Agrícolas)

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