Agronegócio

USDA eleva projeção de importação de carne bovina dos EUA para 2026 e reduz estimativas de produção e preço do boi

Relatório de setembro do Departamento de Agricultura americano aponta oferta doméstica mais restrita, maior dependência de carne importada e revisão para baixo nos preços do boi gordo nos Estados Unidos

USDA eleva projeção de importação de carne bovina dos EUA para 2026 e reduz estimativas de produção e preço do boi

Pexels / Robert So

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Os Estados Unidos deverão ampliar as importações de carne bovina em 2026, em razão da queda na produção doméstica e da expectativa de embarques mais fortes vindos da América do Sul. A avaliação consta no relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), analisado pelo especialista Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, e divulgado nesta sexta-feira (11/09/2026).

Importações dos EUA são revisadas para cima

De acordo com o levantamento, a projeção de importação norte-americana de carne bovina para 2026 foi elevada em 130 milhões de libras, alcançando agora 6,262 bilhões de libras — o equivalente a aproximadamente 2,84 milhões de toneladas. A revisão leva em conta a ampliação, até novembro, das cotas sujeitas a tarifas reduzidas, além da expectativa de maior oferta de países sul-americanos no mercado americano.

Para 2027, o USDA manteve a estimativa de importação em 6,050 bilhões de libras, o que corresponde a cerca de 2,74 milhões de toneladas. Apesar de o volume projetado para 2027 ser inferior ao de 2026, ele ainda permanece acima das 2,44 milhões de toneladas efetivamente importadas pelos Estados Unidos em 2025.

O movimento reforça a dependência norte-americana da carne bovina importada em um contexto de oferta doméstica mais restrita. Para o pecuarista brasileiro, o cenário aponta para possíveis oportunidades comerciais, ainda que o aproveitamento dessa demanda dependa das condições de acesso ao mercado americano, das tarifas aplicadas e da concorrência com outros fornecedores da região.

Produção norte-americana é reduzida

Ao mesmo tempo em que revisou para cima a projeção de importações, o USDA cortou a estimativa de produção de carne bovina dos Estados Unidos. Para 2026, a previsão foi diminuída em 90 milhões de libras, chegando a 24,877 bilhões de libras, o que equivale a aproximadamente 11,28 milhões de toneladas. Segundo o relatório, essa revisão decorre da comercialização mais lenta do gado confinado, do menor peso médio das carcaças e de um volume de abate de vacas abaixo do que havia sido inicialmente previsto.

Para 2027, o corte projetado foi ainda mais expressivo, de 145 milhões de libras. Com isso, a produção norte-americana está estimada agora em 24,835 bilhões de libras, ou 11,26 milhões de toneladas. Para esse período, o USDA leva em conta carcaças mais leves e um número de animais entrando nos confinamentos abaixo do esperado.

Na comparação com 2025, ano em que a produção dos Estados Unidos alcançou cerca de 11,79 milhões de toneladas, os números indicam que a tendência de redução na oferta doméstica norte-americana deve se manter tanto em 2026 quanto em 2027.

Preços do boi também foram revisados para baixo

Apesar da oferta mais restrita de gado, o USDA reduziu as projeções para o preço médio do boi nos Estados Unidos. Para 2026, a estimativa foi cortada em US$ 8,00 por 100 libras, situando-se agora em US$ 237,35 por 100 libras de peso vivo — o equivalente a aproximadamente US$ 5.233 por tonelada.

Para 2027, o corte foi ainda maior, de US$ 11,00 por 100 libras, levando a projeção para US$ 238,00 por 100 libras de peso vivo, ou cerca de US$ 5.247 por tonelada. Ainda assim, mesmo após as revisões, os valores permanecem acima dos US$ 224,37 por 100 libras registrados em 2025, equivalentes a aproximadamente US$ 4.946 por tonelada.

A redução das estimativas de preço para o terceiro e o quarto trimestres de 2026 está relacionada a uma demanda dos frigoríficos abaixo do que se esperava. O ajuste também se estende a 2027 e sinaliza maior cautela do USDA quanto à capacidade da indústria norte-americana de sustentar novas altas nas cotações do boi.

Exportações dos EUA também sobem, mas ficam abaixo de 2025

O relatório do USDA também trouxe uma elevação discreta nas projeções para as exportações norte-americanas de carne bovina. A estimativa para 2026 aumentou em 10 milhões de libras, chegando a 2,343 bilhões de libras, equivalentes a aproximadamente 1,06 milhão de toneladas.

Para 2027, a previsão avançou na mesma proporção, também em 10 milhões de libras, alcançando 2,325 bilhões de libras, ou cerca de 1,05 milhão de toneladas. Segundo a análise, essa revisão foi sustentada pela expectativa de embarques maiores destinados a mercados asiáticos.

Ainda assim, mesmo com o avanço projetado, as exportações dos Estados Unidos devem permanecer abaixo das 1,17 milhão de toneladas registradas em 2025. Dessa forma, o cenário desenhado pelo USDA combina três movimentos simultâneos: menor produção doméstica, crescimento das importações e redução das vendas externas dos Estados Unidos na comparação com o ano anterior.

Repercussão para o mercado sul-americano

A combinação de fatores apontada pelo USDA — queda na produção americana, preços do boi revisados para baixo, mas ainda superiores aos de 2025, e maior necessidade de importação — reforça a relevância dos fornecedores da América do Sul, entre eles o Brasil, no abastecimento do mercado dos Estados Unidos ao longo de 2026 e 2027.

O relatório de setembro do USDA, que serve de referência para o mercado internacional de carne bovina, foi analisado pela Terra Investimentos com base nos dados oficiais do órgão americano, conhecidos pela sigla WASDE. As novas projeções devem orientar decisões de frigoríficos, exportadores e pecuaristas em relação ao planejamento de oferta e à estratégia comercial para os próximos períodos.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Notícias Agrícolas)

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