Agronegócio

Milho cai em Chicago com avanço da colheita nos EUA, mas mercado brasileiro pode se aquecer em outubro

Contratos futuros recuam na Bolsa de Chicago com chegada da nova safra americana, enquanto analista projeta demanda mais forte e oferta menor no Brasil nas próximas semanas

Milho cai em Chicago com avanço da colheita nos EUA, mas mercado brasileiro pode se aquecer em outubro

Pexels / Tom Fisk

Publicado em
Compartilhar:

Os contratos futuros de milho fecharam em queda na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta sexta-feira, dia 18 de setembro de 2026, pressionados pela entrada da nova safra norte-americana e pelo avanço da colheita nos Estados Unidos. Apesar da retração no curto prazo, o mercado termina a semana com atenção voltada para fundamentos considerados mais ajustados nos próximos meses, especialmente diante da força da demanda mundial pelo cereal.

O contrato com vencimento em dezembro encerrou o pregão cotado a US$ 5,27 por bushel, com perda de 3 pontos. Já o contrato de março terminou a US$ 5,41 por bushel, também com recuo de 3 pontos, enquanto o vencimento de maio perdeu 2,5 pontos, fechando em US$ 5,48 por bushel.

Colheita nos EUA pressiona preços, mas clima é monitorado

A pressão sazonal provocada pela colheita norte-americana atinge as cotações justamente no momento em que novos volumes de milho começam a chegar fisicamente ao mercado. Ainda assim, operadores permanecem atentos às condições climáticas, principalmente ao risco de excesso de chuvas em algumas regiões do Corn Belt, cinturão agrícola dos Estados Unidos, nos próximos dias.

Segundo a reportagem, esse excesso de chuvas pode comprometer não apenas o ritmo dos trabalhos de campo, mas também a qualidade final do cereal colhido.

Consumo mundial deve superar produção em quase 30 milhões de toneladas

O movimento de queda em Chicago ocorre em um cenário internacional no qual o equilíbrio entre produção e consumo global de milho vem se tornando mais apertado. Uma análise da agência internacional de notícias Reuters, baseada em projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indica que o consumo mundial de milho poderá superar a produção em quase 30 milhões de toneladas na safra 2026/27.

Esse dado ajuda a explicar por que, mesmo com a pressão da colheita americana no curto prazo, o mercado internacional mantém atenção redobrada sobre a disponibilidade futura do grão.

Brasil vive momento mais frio de negócios, mas cenário pode mudar em outubro

No mercado brasileiro, o milho atravessa neste momento um período de menor ritmo de negociações. Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira (18), Enilson Nogueira, consultor de mercado da Céleres Consultoria, explicou que as exportações brasileiras ainda enfrentam dificuldades diante dos preços praticados no mercado interno.

"Nossa exportação ainda está lenta, os preços não são viáveis para a exportação na maior parte do país. Então isso está causando um momento um pouco mais frio no mercado de milho", afirmou Enilson Nogueira, consultor de mercado da Céleres Consultoria.

Apesar do cenário atual de menor movimentação, o consultor acredita que essa condição não deve se prolongar por muito tempo. Ele projeta uma mudança já nas próximas semanas.

"Não acredito que isso seja duradouro. Acredito que em meados de outubro a gente já vai começar a ver um mercado mais aquecido", disse Nogueira.

Plantio da soja deve reduzir oferta de milho disponível

Um dos fatores que pode contribuir para o aquecimento do mercado é justamente a chegada do período mais intenso de plantio da soja no Brasil. Com o produtor concentrado nos trabalhos de campo, tende a diminuir a disposição para movimentar volumes de milho armazenados, especialmente aqueles mantidos em estruturas de armazenagem temporárias.

Segundo Nogueira, essa concentração de esforços no plantio da soja pode reduzir a oferta disponível de milho no mercado, ajudando a devolver maior dinamismo às negociações do cereal.

"Então a oferta também acaba ficando mais limitada nessa época de plantio. Vejo o mercado de milho hoje um pouco frio, mas é um mercado que rapidamente deve voltar a se aquecer", declarou o consultor da Céleres.

Fundamentos mais sólidos quando se amplia o horizonte de análise

Para o analista da Céleres, é justamente quando se amplia o horizonte de análise que os fundamentos do milho ganham mais força. Segundo ele, a oferta mundial do cereal permanece elevada, mas vem diminuindo gradualmente. No Brasil, o movimento também é de redução da disponibilidade, diante de uma demanda que continua firme, principalmente no mercado interno.

"É uma oferta mundial que não é pequena, mas está caindo; é uma oferta brasileira que não é pequena, mas está caindo e está encontrando uma demanda que é superior à capacidade de oferta dessa safra", detalhou Enilson Nogueira, considerando em sua avaliação condições normais para a próxima produção brasileira de milho.

Nogueira ressalta ainda que eventuais dificuldades na janela de plantio da soja, e seus possíveis reflexos sobre o calendário da segunda safra de milho, representam uma variável adicional a ser monitorada pelo mercado.

"Considerando safra normal, já temos uma previsão de que, com safra normal, os estoques vão ficar mais apertados. Então vejo fundamentos sólidos para o milho também", concluiu o consultor.

Perspectivas para o produtor brasileiro

A combinação entre menor disponibilidade do cereal, consumo interno firme e uma possível redução da oferta física durante o período de plantio da soja pode ajudar a construir novas oportunidades de comercialização para o produtor brasileiro nos próximos meses.

Isso não significa, no entanto, uma trajetória linear de alta nos preços. No curto prazo, o mercado de Chicago ainda precisa absorver a entrada da safra dos Estados Unidos, enquanto o mercado brasileiro acompanha de perto o ritmo das exportações, a variação do câmbio, a demanda doméstica e, principalmente, a disposição de venda dos produtores rurais.

O cenário projetado para os próximos meses, entretanto, é diferente daquele sugerido apenas pela queda registrada nesta sexta-feira em Chicago. Há mais milho chegando agora ao mercado americano, mas a demanda continua consumindo estoques e mantendo a atenção sobre a disponibilidade futura do grão. No Brasil, o mercado pode estar mais frio neste momento, mas os fundamentos apontados pelos analistas indicam que essa condição pode não durar muito tempo.

Para o produtor, o segundo semestre de 2026 segue, portanto, como um período importante de construção de preços e de acompanhamento das oportunidades de comercialização, especialmente à medida que a oferta disponível de milho diminui e a demanda volta a disputar o cereal com mais intensidade.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Notícias Agrícolas)

Compartilhar: