USDA surpreende com dados dos EUA e soja despenca na Bolsa de Chicago
Relatório mensal de oferta e demanda trouxe produtividade e produção maiores que o esperado para a safra americana 2026/27, derrubando preços e puxando queda de até R$ 5 por saca no Mato Grosso
Wikimedia Commons / A. H. Baldwin for the United States Department of Agriculture
O novo boletim mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado nesta sexta-feira (11) e provocou uma forte queda nos preços da soja, que fecharam o dia com mais de 30 pontos de baixa nos principais vencimentos negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato de novembro encerrou cotado a US$ 12,99 por bushel, enquanto o vencimento de maio de 2027 - referência para a comercialização da próxima safra brasileira - foi fechado a US$ 13,27 por bushel. Ao longo da semana, esse mesmo contrato havia chegado a superar a marca de US$ 13,50 por bushel, o que evidencia a magnitude da reversão registrada na sexta-feira.
Relatório do USDA veio mais baixista do que o esperado
O documento divulgado pelo órgão americano surpreendeu justamente por apontar uma produtividade maior para a safra 2026/27 dos Estados Unidos, o que resultou em uma estimativa de produção também mais elevada, agora calculada em pouco mais de 123 milhões de toneladas. O resultado contrariou as expectativas dos operadores de mercado, que aguardavam por correções para baixo nesses números.
Mesmo diante de um leve aumento nas exportações projetadas e de um tímido corte nos estoques finais - fatores que, isoladamente, poderiam sustentar os preços -, os contratos futuros da oleaginosa não resistiram ao peso da maior oferta esperada e acabaram liderando as perdas do dia na CBOT.
No conjunto dos grãos negociados em Chicago, o cenário também foi de baixa generalizada. Os preços do trigo recuaram mais de 2%, enquanto o milho fechou o pregão com queda de mais de 0,3%, depois de chegar a testar perdas superiores a 1% ao longo da sessão.
Aversão ao risco amplia o movimento de queda
Segundo o head de commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal, o tombo dos preços também reflete um ajuste natural após a forte valorização recente dos contratos agrícolas.
"O mercado estava muito esticado, estava sobrecomprado", afirmou o head de commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal.
O especialista destacou ainda que a semana que vem deve ser marcada por negócios mais intensos e oscilações agressivas nos mercados de commodities, já que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deve anunciar suas decisões sobre a taxa de juros americana. Complementando esse cenário de maior cautela, estão as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que também têm mexido com os mercados após o anúncio do presidente americano Donald Trump prometendo o pagamento de US$ 5 mil a cada adulto do país caso o Partido Republicano vença o pleito.
Queda generalizada nas commodities agrícolas, energéticas e metálicas
Nesse ambiente de maior cautela e realização de lucros, a sexta-feira foi marcada por uma baixa agressiva e generalizada entre as commodities agrícolas, energéticas e metálicas, com os mercados devolvendo boa parte dos ganhos acumulados nos dias anteriores.
O petróleo perdeu quase 3% no pregão. Ainda assim, o barril do tipo brent se manteve acima dos US$ 100,00 na Bolsa de Londres, mesmo com o movimento de correção alcançando também os demais ativos negociados. Em Nova York, o açúcar terminou o dia com queda de mais de 3%, o algodão recuou mais de 2% e o café cedeu mais de 1,3%.
Ainda na Bolsa de Chicago, os efeitos da queda da soja se espalharam para seus derivados: os contratos futuros de óleo de soja despencaram mais de 3%, enquanto os do farelo de soja fecharam a sexta-feira com recuo de quase 1%.
Dólar mais forte pressiona ainda mais as cotações
Outro fator que contribuiu para a pressão sobre as commodities, especialmente as agrícolas, foi a recuperação de parte do fôlego do dólar frente ao real. A moeda americana voltou a ser cotada a R$ 5,12, movimento que ajudou a intensificar as quedas em Chicago. O índice dólar, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de outras divisas, também testava pequenos ganhos ao longo do dia, reforçando a pressão sobre os preços das commodities negociadas em dólar.
Saca de soja perde até R$ 5 no Mato Grosso
No mercado físico brasileiro, os preços não conseguiram se sustentar frente ao tombo em Chicago e acompanharam as baixas internacionais de forma bastante expressiva. De acordo com o levantamento de Gilberto Leal, as referências de preço da soja no Mato Grosso, principal estado produtor do país, chegaram a perder entre R$ 3,00 e R$ 5,00 por saca, variação que depende da praça de comercialização considerada.
O movimento reforça a volatilidade que já vinha marcando o mercado da soja nas últimas semanas, impulsionada tanto por fatores climáticos e de oferta e demanda quanto pelo cenário macroeconômico internacional. Para a próxima semana, o mercado deve seguir atento tanto à decisão do Federal Reserve sobre os juros americanos quanto aos desdobramentos das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, fatores que devem manter as commodities agrícolas sob pressão e com oscilações intensas.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Notícias Agrícolas)