Açúcar sobe em Nova Iorque e Londres com expectativa de déficit global na safra 2026/27
Revisões de organizações e consultorias indicam que o mercado mundial pode passar de superávit para déficit na próxima temporada, sustentando os preços da commodity
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O mercado internacional de açúcar operou em alta nesta quarta-feira (2), dando sequência ao movimento positivo verificado no pregão anterior, à medida que investidores repercutiam novas projeções de oferta e demanda para a safra 2026/27. A perspectiva de que o balanço global da commodity deixe de apresentar superávit e passe a registrar déficit na próxima temporada vem sustentando as cotações nas bolsas de Nova Iorque e Londres.
Por volta das 11h40 (horário de Brasília), o contrato para outubro do açúcar em Nova Iorque era negociado a 18,63 cents de dólar por libra-peso, alta de 27 pontos. O contrato com vencimento em maio de 2027, por sua vez, avançava 22 pontos, cotado a 19,55 cents por libra-peso.
Em Londres, o movimento também era de alta. O contrato para outubro subia 400 pontos, sendo negociado a US$ 538,40 por tonelada, enquanto o vencimento de dezembro avançava 380 pontos, para US$ 539,90 por tonelada.
Déficit global muda perspectiva para 2026/27
O movimento de valorização ganhou força já no pregão de terça-feira (1º), após a Organização Internacional do Açúcar (ISO) revisar sua projeção para o balanço mundial da commodity. Segundo a entidade, o mercado global deve passar de um superávit de 1,1 milhão de toneladas na safra 2025/26 para um déficit de 200 mil toneladas na temporada 2026/27.
A revisão da ISO está associada à expectativa de queda na produção mundial. Para o ciclo 2026/27, a organização projeta uma produção de 180,1 milhões de toneladas, recuo de 1% em relação à safra anterior. Entre os principais fatores de risco para a oferta estão os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño sobre as lavouras da Índia e da Tailândia, dois dos maiores produtores mundiais de açúcar.
Para a safra 2025/26, no entanto, a ISO ainda projeta uma produção recorde de 182 milhões de toneladas, o que representaria um aumento de 3,5% em relação à temporada anterior, com superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas.
Consultorias também apontam mercado mais apertado
A revisão feita pela ISO confirma uma tendência que já vinha sendo identificada por diferentes consultorias do setor nas últimas semanas, todas apontando para um cenário de oferta mais restrita na safra 2026/27.
A Green Pool Commodity Specialists estima um déficit de 3,2 milhões de toneladas para a próxima temporada. Para 2025/26, a consultoria reduziu sua projeção de superávit de 4,93 milhões para 4,85 milhões de toneladas.
A Covrig Analytics também alterou sua estimativa para 2026/27, passando de um superávit de 100 mil toneladas para um déficit de 300 mil toneladas. Já a StoneX elevou sua projeção de déficit de 550 mil toneladas para 1,7 milhão de toneladas.
A Czarnikow, por sua vez, revisou o balanço mundial de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas. Entre os fatores considerados pela consultoria está o maior direcionamento da cana-de-açúcar brasileira para a produção de etanol, o que reduz a disponibilidade de matéria-prima destinada à fabricação de açúcar.
Produção europeia também gera preocupação
Além das principais regiões produtoras de cana-de-açúcar, o mercado internacional tem monitorado com atenção as perspectivas para a produção de açúcar de beterraba na Europa. O Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia estima que a produção do bloco na safra 2026/27 deverá recuar 19%, para 13,4 milhões de toneladas.
As condições climáticas adversas enfrentadas pelas lavouras de beterraba, incluindo períodos de seca e temperaturas elevadas, estão entre os fatores associados a essa redução. Dados da consultoria S&P Global Energy também apontam queda na produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido, que poderia atingir 14,98 milhões de toneladas — o menor volume em 11 anos.
O cenário de aperto na oferta pode se estender também às temporadas seguintes. Para 2027/28, a Czarnikow projeta um déficit global de 2,9 milhões de toneladas, diante da expectativa de redução no plantio tanto de cana quanto de beterraba. Segundo a consultoria, a produção mundial poderia recuar 0,7%, para 177 milhões de toneladas.
Índia segue como ponto de atenção do mercado
A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, continua entre os principais focos de atenção dos investidores. O país autorizou, em agosto, a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.
A medida chama a atenção do mercado porque a Índia tradicionalmente ocupa a posição de exportadora da commodity e não realiza importações em volume significativo desde a safra 2017/18.
Ao mesmo tempo, as condições climáticas no país aumentam as incertezas em relação à próxima produção. Dados do Departamento Meteorológico da Índia mostravam que as chuvas de monção estavam 14% abaixo da média histórica até 31 de agosto. O Ministério de Ciências da Terra do país já havia alertado anteriormente para a possibilidade de a atual temporada de monções ser a mais fraca em 11 anos.
Brasil tem papel importante no balanço mundial
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a produção da região Centro-Sul também está sob observação do mercado internacional. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, totalizando 3,903 milhões de toneladas.
Além do volume produzido, a relação entre a destinação da cana para açúcar ou para etanol é um dos principais fatores que podem determinar a disponibilidade global da commodity nos próximos meses. Com condições mais favoráveis para a produção de etanol, as usinas brasileiras podem optar por direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para o biocombustível, reduzindo o volume destinado à fabricação de açúcar — movimento que ganha ainda mais relevância diante das perspectivas de um mercado mundial mais apertado.
O comportamento do clima segue no centro das atenções dos agentes do mercado. Os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre Brasil, Índia e Tailândia podem alterar os regimes de chuva nessas regiões produtoras e ampliar as incertezas em relação à oferta de açúcar nas próximas temporadas.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Notícias Agrícolas)