Agronegócio

Emater/RS-Ascar projeta safra de verão 2026/2027 com alta de 8,64% na produção total do Rio Grande do Sul

Levantamento apresentado durante a 49ª Expointer aponta crescimento puxado pela soja e pelo milho, mas revela queda na área de arroz e preocupação com endividamento dos produtores

Emater/RS-Ascar projeta safra de verão 2026/2027 com alta de 8,64% na produção total do Rio Grande do Sul

Wikimedia Commons / Srfortes

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A Emater/RS-Ascar apresentou nesta terça-feira (1º de setembro) as estimativas iniciais da safra de grãos de verão 2026/2027 no Rio Grande do Sul, projetando uma produção total de 35.639.371 toneladas, o que representa um crescimento de 8,64% em relação à safra anterior. O anúncio foi feito durante um Café da Manhã para a Imprensa realizado no contexto da 49ª Expointer, que segue até domingo (6 de setembro) no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O levantamento foi conduzido entre os dias 10 e 24 de agosto e abrangeu praticamente a totalidade dos municípios gaúchos produtores de soja, milho, milho para silagem, feijão e arroz.

Segundo os números apresentados, a área total destinada ao cultivo de grãos de verão no estado deve somar 8.428.151 hectares, uma redução de 0,37% frente à safra passada, mesmo com o aumento projetado na produção geral.

Milho grão avança em área e produção

Para a cultura do milho, a Emater/RS-Ascar prevê uma área cultivada de 896.401 hectares na safra 2026/2027, volume 7,42% superior ao registrado na temporada anterior. A produção estimada é de 6.911.954 toneladas, alta de 7,18% frente às 6.448.709 toneladas colhidas na safra passada.

A produtividade média projetada para o milho, no entanto, apresenta ligeira queda: 7.711 quilos por hectare, 0,25% menor do que os 7.730 kg/ha obtidos anteriormente.

"Esse aumento de área se associa a fatores como a utilização de irrigação e de sementes de boa qualidade", afirmou o presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, ao comentar o crescimento da cultura em comparação às safras 2025/2026 e 2024/2025.

Baldissera destacou ainda que o milho vem se posicionando como uma cultura que busca melhor performance em cenários de estabilidade climática, consolidando-se como peça importante na rotação de culturas adotada pelos produtores gaúchos.

Soja segue como principal motor da produção

A soja continua sendo a cultura de maior peso na produção total de grãos do Rio Grande do Sul. A estimativa aponta para uma colheita de 21.151.135 toneladas na safra 2026/2027, número 15,32% superior às 18.341.586 toneladas obtidas na safra anterior.

Esse desempenho está atrelado ao salto na produtividade média estimada, que deve chegar a 3.183 kg/ha, alta de 16,37% em relação aos 2.735 kg/ha da safra passada. Já a área a ser cultivada com a oleaginosa deve recuar 0,92%, totalizando 6.645.384 hectares, ante os 6.707.017 hectares da temporada anterior.

O levantamento identifica uma redução estimada de 61.633 hectares na área de soja, concentrada principalmente em regiões consideradas de menor aptidão para a cultura, com destaque para as regionais de Porto Alegre e Soledade, onde condições edafoclimáticas e de risco produtivo mais desfavoráveis vêm levando a uma diminuição da área destinada à oleaginosa.

Feijão e milho silagem registram pequenos avanços

No caso do feijão de primeira safra, a produtividade projetada é de 1.759 kg/ha, um crescimento de 8,10% em relação aos 1.627 kg/ha da safra anterior. Com isso, a produção deve alcançar 43.244 toneladas, alta de 1,20% frente às 42.732 toneladas colhidas na temporada passada. A área estimada para o cultivo é de 24.587 hectares, uma redução de 6,36% em comparação aos 26.258 hectares da safra anterior.

Já o milho destinado à silagem apresenta pequenos aumentos em todos os indicadores para a próxima safra. A área prevista é de 369.389 hectares, ante 368.692 hectares cultivados na safra 2025/2026, alta de 0,19%. A produtividade média estimada é de 38.392 kg/ha, contra 37.144 kg/ha da safra anterior, um avanço de 3,36%. Como resultado, a produção de milho silagem deve somar 14.181.712 toneladas, 3,58% a mais do que as 13.692.153 toneladas produzidas na safra passada.

"É uma área expressiva e que representa uma fonte de alimentação bastante importante para o setor da proteína animal, encontrada em todas as regiões do Estado", observou Claudinei Baldissera sobre o crescimento do milho silagem.

Arroz é a única cultura com queda projetada em todos os indicadores

O arroz deve ser a exceção entre as culturas analisadas, com recuo tanto em área quanto em produção e produtividade. A estimativa de área cultivada é de 861.779 hectares, contra 891.909 hectares da safra anterior, uma queda de 3,4%.

A produção projetada é de 7.533.037 toneladas, 5,49% menor do que as 7.970.527 toneladas colhidas na safra 2025/2026. A produtividade média também deve cair, passando de 8.939 kg/ha para 8.741 kg/ha, redução de 2,21%.

Endividamento e custo de seguros preocupam produtores

O diretor-técnico da Emater/RS, Mateus Soares da Rocha, apontou o endividamento dos produtores rurais como um dos principais desafios para a safra que se inicia. Segundo ele, essa condição restringe o acesso ao crédito junto a agentes financeiros públicos e privados, dificultando o planejamento da próxima temporada agrícola.

Rocha destacou ainda que o elevado custo dos seguros agrícolas e do Proagro amplia a exposição financeira dos produtores, podendo limitar tanto a capacidade de investimento quanto a contratação de mecanismos de proteção contra riscos climáticos e produtivos.

Diante desse cenário, o diretor-técnico ressaltou a necessidade de acompanhamento técnico sistemático e de qualificação na gestão de custos e riscos ao longo de todo o ciclo produtivo. Segundo ele, esse acompanhamento deve começar no período de pré-plantio, com a definição das culturas, o planejamento financeiro e a análise de riscos; seguir durante a implantação e o desenvolvimento das lavouras, com monitoramento das condições climáticas e agronômicas; e se estender ao período pós-colheita, com foco no planejamento da comercialização e na gestão da renda obtida.

"Não existe margem para erro", afirmou Mateus Soares da Rocha ao avaliar as condições para a próxima safra.

El Niño é fator de atenção para o início do plantio

Entre os fatores de maior preocupação para a safra 2026/2027 está a atuação do fenômeno El Niño, que pode interferir diretamente no início da implantação das culturas de verão. De acordo com a Emater/RS-Ascar, a previsão de chuvas acima da média pode reduzir a janela de plantio, dificultar o acesso às áreas de cultivo e diminuir a disponibilidade de radiação solar.

Essas condições climáticas, segundo a entidade, podem comprometer o estabelecimento inicial das lavouras e reduzir o potencial produtivo das culturas de verão no estado.

Apesar dos riscos associados ao El Niño, a instituição destaca também aspectos positivos no cenário, como o aumento na estimativa de área e produção do milho, cultura que historicamente apresenta maior adaptação e melhor resposta produtiva em condições associadas a esse fenômeno climático.

Diante desse conjunto de fatores, a Emater/RS-Ascar reforça que o planejamento da safra 2026/2027 deverá combinar gestão financeira, análise de risco, orientação técnica, planejamento climático e estratégias de comercialização, reafirmando o papel da assistência técnica e extensão rural no apoio à tomada de decisão dos agricultores gaúchos ao longo de todo o ciclo produtivo.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Notícias Agrícolas)

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