Exportações de milho do Brasil caem 32% em agosto de 2026 na comparação anual
País embarcou 4,65 milhões de toneladas no mês, ante 6,85 milhões em agosto de 2025; analista da HeadPoint alerta para risco de revisão da projeção anual
Wikimedia Commons / Keith Weller, USDA
As exportações brasileiras de milho encerraram agosto de 2026 com 4,65 milhões de toneladas embarcadas, volume 32% inferior às 6,85 milhões de toneladas registradas no mesmo mês do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Como agosto de 2025 e agosto de 2026 tiveram o mesmo número de dias úteis, 21 no total, a queda no volume total também se refletiu diretamente na média diária dos embarques, que recuou de 326,1 mil toneladas para 221,7 mil toneladas por dia.
A receita obtida pelo Brasil com as vendas externas de milho caiu em ritmo inferior ao do volume exportado. O faturamento passou de US$ 1,356 bilhão em agosto de 2025 para US$ 1,012 bilhão em agosto de 2026, uma retração de 25,3%.
Essa diferença entre a queda mais acentuada do volume e a queda mais moderada da receita foi parcialmente explicada pelo comportamento dos preços. A tonelada de milho exportada pelo Brasil saiu, em média, por US$ 217,40 em agosto deste ano, valor 9,8% superior aos US$ 197,93 registrados em agosto de 2025.
Ritmo mais fraco preocupa o setor
O resultado de agosto reforça a atenção do mercado sobre o ritmo das exportações brasileiras de milho para o restante do ano de 2026. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o coordenador de inteligência de mercado da consultoria HeadPoint, Luiz Fernando Gutierrez, afirmou que os embarques estão vindo abaixo do esperado pelo mercado.
Segundo o analista, a continuidade desse desempenho mais fraco pode exigir uma revisão para baixo nas projeções de exportação para a temporada. Atualmente, a HeadPoint trabalha com uma estimativa de exportações brasileiras de milho próxima a 41 milhões de toneladas em 2026, volume semelhante ao registrado no ano passado.
Gutierrez pondera, no entanto, que essa projeção pode ser reduzida caso os embarques semanais de milho não ganhem força nos próximos meses, mantendo o ritmo aquém do necessário para atingir a meta atual.
Irã e Argentina são pontos de atenção
Entre os fatores que podem influenciar o desempenho das exportações brasileiras nos próximos meses, o analista da HeadPoint citou as incertezas em torno da demanda do Irã, um dos importantes compradores do cereal no mercado internacional.
Outro ponto destacado por Gutierrez é a concorrência da Argentina, que tem se intensificado diante da maior disponibilidade do milho argentino no mercado externo e de preços mais competitivos oferecidos pelo país vizinho, o que pode disputar espaço com o produto brasileiro em destinos importadores.
"Os embarques vêm abaixo do esperado e, se esse desempenho persistir, pode ser necessário revisar as projeções para a temporada", afirmou Luiz Fernando Gutierrez, coordenador de inteligência de mercado da HeadPoint.
Próximos passos
Com agosto encerrado bem abaixo do resultado obtido no mesmo mês de 2025, o mês de setembro passa a ter papel importante para o mercado avaliar se o Brasil conseguirá acelerar o ritmo dos embarques de milho e reduzir a distância em relação ao programa de exportações esperado para o ano de 2026.
Caso os volumes semanais continuem defasados em relação ao calendário necessário para atingir a meta de 41 milhões de toneladas, a HeadPoint sinaliza que pode rever sua projeção anual, considerando também os fatores externos ligados à demanda iraniana e à competitividade da oferta argentina no mercado internacional de milho.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Notícias Agrícolas)