Queda nas compras da China derruba exportação de carne bovina em agosto, mas outros mercados batem recorde
Levantamento da Terra Agro Insights mostra recuo de 27,1% no volume total embarcado, enquanto frango e suínos seguem em expansão
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As exportações brasileiras de proteínas animais fecharam agosto de 2026 com resultados distintos entre as cadeias, mas o dado mais relevante para a pecuária foi a constatação de que a forte queda nos embarques de carne bovina esteve concentrada quase exclusivamente na China, enquanto o restante do mundo ampliou de forma expressiva as compras do produto brasileiro.
Queda concentrada na China
Levantamento elaborado por Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos/Terra Agro Insights, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostra que o Brasil exportou 195,7 mil toneladas de carne bovina em agosto de 2026, volume 27,1% menor que as 268,4 mil toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025.
A média diária de exportações também recuou no mesmo ritmo, caindo de 12,78 mil toneladas para 9,32 mil toneladas por dia útil, uma redução de 27,1%.
Apesar da retração no volume, o preço médio recebido pela carne brasileira melhorou. O valor médio por quilo alcançou US$ 6,17, alta de 10,1% na comparação com agosto do ano anterior. Como consequência, a receita total das exportações caiu em proporção menor que o volume, somando US$ 1,207 bilhão, recuo de 19,7% frente a agosto de 2025.
Para o pecuarista, essa diferença entre a queda do volume e a queda da receita é relevante: mesmo com menor escoamento de carne para o exterior no mês, a valorização do produto ajudou a amenizar o impacto sobre o faturamento da indústria frigorífica.
No acumulado de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina somam 1,918 milhão de toneladas, de acordo com os números compilados pela Terra Agro Insights.
Outros mercados batem recorde sem a China
A abertura dos destinos por país revela a principal mudança no perfil das exportações em agosto. A China recebeu apenas 16,1 mil toneladas de carne bovina brasileira no mês, queda de 89,8% frente ao mesmo período de 2025, e respondeu por somente 8,2% do total exportado pelo Brasil.
Em contrapartida, os demais 108 destinos que compraram carne bovina brasileira em agosto somaram, juntos, 179,6 mil toneladas, crescimento de 62,6% sobre agosto do ano passado.
"Trata-se do maior volume mensal de carne bovina já exportado pelo Brasil desconsiderando a China", afirmou Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos/Terra Agro Insights.
O dado é particularmente importante para o produtor rural porque evidencia que, apesar da forte dependência construída em torno do mercado chinês nos últimos anos, outros compradores internacionais conseguiram absorver uma parcela expressiva da produção brasileira mesmo com a retração da China.
Estados Unidos lideram entre os novos compradores
Os Estados Unidos assumiram a liderança entre os destinos da carne bovina brasileira em agosto, com 31,3 mil toneladas importadas, crescimento de 389,8% na comparação com o mesmo mês de 2025.
A Terra Agro Insights ressalva, no entanto, que o percentual elevado de crescimento parte de uma base deprimida em agosto do ano passado, quando apenas 6,4 mil toneladas foram embarcadas para os Estados Unidos, reflexo do tarifaço imposto pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump. Naquele período, as exportações brasileiras de carne que ultrapassavam as cotas tradicionais chegaram a enfrentar uma taxação total combinada de até 76,4%.
A Rússia aparece na sequência entre os principais destinos, com 21 mil toneladas compradas em agosto, crescimento de 69,4% sobre igual mês de 2025. O Chile, por sua vez, adquiriu 17,3 mil toneladas, avanço de 47,8%.
Também chamaram atenção o desempenho da Arábia Saudita, com 8,2 mil toneladas e alta de 132,5%, e da Itália, com 7,6 mil toneladas e crescimento de 56,9% na comparação anual.
A Terra Agro Insights fez ainda um segundo tipo de comparação, confrontando os volumes de agosto com o ritmo médio mensal de compras registrado entre janeiro e julho de 2026. Por esse critério, a Rússia ampliou suas aquisições em 12,1 mil toneladas, alta de 136%. A Itália acelerou as compras em 190,5%, o Chile em 35,9%, os Países Baixos em 151,5% e a Líbia em 259,1%.
Compras antecipadas da União Europeia
Outro movimento relevante identificado no levantamento ocorreu às vésperas de novas restrições impostas pela União Europeia aos produtos de origem animal do Brasil.
Segundo os dados, o bloco da UE-27 recebeu 20,3 mil toneladas de carne bovina brasileira em agosto, volume recorde para o mês e mais que o dobro do registrado em julho. A análise da Terra Agro Insights associa esse movimento a uma antecipação de compras por parte dos importadores europeus antes da entrada em vigor das novas restrições, em 3 de setembro.
Frango e suínos mantêm crescimento
Enquanto a carne bovina sofreu com a forte retração das compras chinesas, as outras duas principais proteínas animais exportadas pelo Brasil registraram crescimento em agosto.
As exportações brasileiras de carne de frango somaram 457,99 mil toneladas no mês, ante 373,59 mil toneladas em agosto de 2025. A média diária de embarques passou de 17,79 mil para 21,81 mil toneladas, avanço de 22,59%. No acumulado de 2026, os embarques do produto alcançam 3,656 milhões de toneladas.
A carne suína também manteve desempenho positivo. Foram exportadas 114,62 mil toneladas em agosto, contra 107,51 mil toneladas um ano antes. A média diária avançou de 5,12 mil para 5,46 mil toneladas, alta de 6,61%. No acumulado do ano, as exportações de carne suína somam 914,41 mil toneladas.
O que esperar para o mercado do boi
Para dentro da porteira, o principal ponto de atenção segue sendo a pecuária bovina. Uma redução de 27,1% nos embarques totais representa, em princípio, menor necessidade de escoamento de carne pelo mercado externo e pode afetar a disposição de compra dos frigoríficos em relação ao boi gordo.
Contudo, a composição detalhada dos números de agosto ameniza essa leitura mais pessimista. O problema não foi uma retração generalizada da demanda internacional pela carne brasileira, mas uma concentração da queda especificamente no mercado chinês. Enquanto a China reduziu drasticamente suas compras, os demais mercados absorveram volume recorde, ao mesmo tempo em que o preço médio da carne exportada subiu 10,1%.
Essa diversificação de destinos ganha ainda mais importância diante das incertezas comerciais que envolvem grandes compradores tradicionais. Os Estados Unidos ampliaram fortemente sua participação, Rússia e Chile aceleraram o ritmo de compras e outros destinos, como Arábia Saudita, Itália, Países Baixos e Líbia, ganharam espaço nas exportações brasileiras.
Para o produtor, o comportamento das exportações nos próximos meses será decisivo para a formação dos preços do boi gordo. Caso a China permaneça comprando menos, a capacidade dos demais destinos de manter o ritmo observado em agosto será fundamental para preservar a força da demanda externa sobre a indústria frigorífica nacional.
Já para avicultores e suinocultores, agosto trouxe um sinal mais favorável, com crescimento do ritmo de exportações de 22,59% para o frango e 6,61% para os suínos, reforçando o papel do mercado internacional como componente importante de demanda para as duas cadeias produtivas.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Notícias Agrícolas)