Dois superpetroleiros com carga saudita são atingidos no Estreito de Ormuz
Ataques quase simultâneos ocorreram na noite de segunda-feira e marcam nova escalada no corredor marítimo entre Irã e Omã
Wikimedia Commons / Pascal
Dois superpetroleiros que transportavam petróleo saudita foram atingidos por projéteis desconhecidos na noite de segunda-feira, com poucos minutos de diferença entre os ataques, enquanto navegavam pelo Estreito de Ormuz em direção ao mar aberto. A informação foi divulgada pelas empresas de inteligência e rastreamento marítimo Marisks e Kpler, especializadas em monitorar o tráfego naval na região.
Ataques quase simultâneos
Segundo a Marisks, os dois incidentes ocorreram de forma praticamente simultânea e representam uma escalada significativa no ambiente de ameaças enfrentado pelas embarcações que cruzam o chamado corredor de Omã, uma das rotas mais estratégicas para o transporte de petróleo do mundo.
De acordo com dados da Kpler, cada um dos dois petroleiros havia carregado 2 milhões de barris de petróleo bruto saudita no terminal de Juaymah na semana anterior aos ataques. A estatal saudita Saudi Aramco havia retomado, em agosto, os carregamentos e as vendas de petróleo a partir do interior do estreito, após período de instabilidade na região.
Bloqueios reduzem exportações de energia
Os bloqueios impostos tanto pelo Irã quanto pelos Estados Unidos ao Estreito de Ormuz provocaram queda acentuada nas exportações de energia originadas do Golfo Pérsico. Ambos os países vêm tentando afirmar controle e autoridade sobre essa via navegável estratégica, que é fundamental para o abastecimento global de petróleo.
Mediadores internacionais, incluindo Catar e Omã, têm se empenhado em negociar um acordo que permita a reabertura plena do estreito, mas até o momento os esforços diplomáticos não surtiram efeito. Antes de os Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã, há mais de seis meses, o Estreito de Ormuz era responsável pela passagem de cerca de um quinto de todo o abastecimento mundial de petróleo.
Preços do petróleo sobem após ameaça de Trump
Os preços do petróleo registraram alta nesta terça-feira depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou realizar novos ataques contra o Irã. A declaração ocorreu logo após as primeiras trocas de tiros registradas na região desde o final de julho, reacendendo temores sobre a instabilidade no fornecimento global de energia.
Detalhes dos ataques aos navios
Conforme relatado pela Marisks, o superpetroleiro Sidr, que navega sob bandeira da Arábia Saudita, foi atingido por projéteis desconhecidos a cerca de 16,6 milhas náuticas a nordeste de Khasab, em Omã.
Minutos depois, o petroleiro de grande porte (VLCC) "Senegal Prosperity", com bandeira da Libéria, teria sido atingido por três projéteis desconhecidos a aproximadamente 17 milhas náuticas a leste de Khasab. A Marisks informou que todos os tripulantes a bordo das duas embarcações estavam em segurança após os ataques.
A agência britânica Maritime Trade Operations relatou, de forma independente, que três projéteis atingiram um petroleiro no mesmo local enquanto a embarcação deixava o Estreito de Ormuz, no que aparenta ter sido o mesmo incidente relatado pela Marisks.
"Os incidentes quase simultâneos representam uma nova escalada no ambiente de ameaças no corredor de Omã", afirmou a Marisks, em comunicado sobre os ataques.
Empresas não comentam o ocorrido
A Bahri, empresa saudita que opera o petroleiro Sidr, e a Sinokor, responsável pela operação do Senegal Prosperity, não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre os ataques.
Na manhã desta terça-feira, veículos de mídia iraniana informaram que um petroleiro saudita havia sido interceptado enquanto transitava pelo corredor sul do Estreito de Ormuz, em relato que se soma à sequência de incidentes reportados na região nas últimas semanas.
Escalada de tensões na região
Os novos ataques se somam a uma série de incidentes recentes no Estreito de Ormuz, incluindo casos em que múltiplos navios foram atingidos simultaneamente, o incêndio provocado pelo Irã em um petroleiro gigante próximo a Dubai após advertências de Trump, e paralisações no tráfego marítimo motivadas por disparos e apreensões de embarcações.
A situação mantém em alerta o mercado internacional de petróleo e representa risco sistêmico para o agronegócio global, uma vez que o Estreito de Ormuz é rota essencial não apenas para o transporte de petróleo, mas também para diversas commodities agrícolas que dependem dessa via marítima para chegar a mercados consumidores em diferentes continentes.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Notícias Agrícolas)