Moradores de Kiev cogitam deixar a cidade após seis dias seguidos de ataques russos
Ofensiva com drones e mísseis deixou 12 mortos na região da capital ucraniana nesta terça-feira; moradores relatam esgotamento psicológico
Wikimedia Commons / Roman Naumov
Moradores de um complexo residencial atingido por um drone russo no distrito de Podilskyi, em Kiev, afirmaram nesta terça-feira (1º) que o ritmo incessante dos bombardeios está levando famílias a considerar deixar a capital ucraniana. O ataque ao prédio deixou três pessoas feridas e ocorre após seis dias consecutivos de uma onda particularmente intensa de ofensivas aéreas russas contra a cidade.
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que, desde o início do dia, oito pessoas morreram e outras oito ficaram feridas em ataques espalhados por toda a cidade. Em toda a região metropolitana, autoridades ucranianas confirmaram que ataques aéreos russos mataram 12 pessoas nesta terça-feira, no que já é considerado o sexto dia seguido de ofensivas intensas contra a capital do país.
Moradores relatam esgotamento psicológico
Dois residentes do complexo atingido em Podilskyi disseram que o impacto psicológico das repetidas ofensivas russas se tornou tão severo que já avaliam deixar Kiev. Segundo eles, a imprevisibilidade dos ataques — sem saber onde ou quando o próximo golpe pode ocorrer — tem se tornado insuportável ao longo dos meses de guerra.
Uma mãe de quatro filhos contou que as famílias da região tentam manter a força emocional pelos filhos, buscando preservar uma rotina de infância o mais normal possível, mesmo sob a ameaça constante de novos ataques.
"O planejamento a longo prazo se tornou algo muito difícil", relatou uma moradora, mãe de quatro filhos, descrevendo o crescente esgotamento psicológico e a incerteza vivida pelas famílias que precisam se adaptar à possibilidade de bombardeios a qualquer momento.
Usina termelétrica também foi alvo
Além dos ataques residenciais em Kiev, a estatal ucraniana de energia Naftogaz informou que um ataque russo atingiu uma usina termelétrica na região de Odessa, no sul do país, ampliando o alcance da ofensiva russa neste ciclo recente de bombardeios.
A Rússia, que deu início à invasão em larga escala do território ucraniano em 2022, tem intensificado nos últimos meses os ataques aéreos contra diferentes regiões do país, justamente no período em que seu avanço nas frentes de combate terrestre perdeu velocidade.
Desde a semana passada, forças russas passaram a lançar enxames de drones contra Kiev e áreas vizinhas tanto durante o dia quanto durante a noite, atingindo bairros residenciais, casas e armazéns. Parte significativa dos drones utilizados são modelos novos, movidos a jato e com maior velocidade, características que dificultam sua interceptação pelas defesas antiaéreas ucranianas.
Chanceler ucraniano pede mais apoio aos aliados
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, declarou que drones russos e mísseis balísticos atingiram áreas residenciais e estruturas ferroviárias durante os ataques ocorridos na madrugada desta terça-feira. Ele cobrou dos países aliados da Ucrânia um aumento da pressão econômica sobre a Rússia e a retomada das discussões sobre o uso de ativos russos congelados no exterior para financiar o esforço de guerra ucraniano.
"É hora de sinalizar ao Kremlin que fingir fazer diplomacia não funciona mais", escreveu Andrii Sybiha em publicação na rede social X.
O chanceler ucraniano também pediu o envio de mais sistemas de defesa aérea ao país, alertando que a Ucrânia está ficando criticamente sem interceptadores Patriot, sistema de fabricação norte-americana capaz de derrubar mísseis balísticos russos — um dos principais recursos usados para proteger Kiev e outras cidades dos ataques mais recentes.
A sequência de bombardeios reforça o padrão observado nos últimos meses do conflito, em que a Rússia tem priorizado ofensivas aéreas de longo alcance diante da desaceleração de seus avanços no front terrestre, ampliando a pressão sobre a população civil ucraniana e sobre a capacidade de resposta das defesas do país.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de CNN Brasil)