Segurança

Suspeito de matar Charlie Kirk se declara inocente e pode enfrentar pena de morte

Tyler Robinson, de 23 anos, negou as sete acusações em audiência em Utah; juiz manteve caso como homicídio qualificado, que permite condenação à morte

Suspeito de matar Charlie Kirk se declara inocente e pode enfrentar pena de morte

Wikimedia Commons / Gage Skidmore from Surprise, AZ, United States of America

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O acusado de matar o ativista republicano Charlie Kirk, Tyler Robinson, de 23 anos, se declarou inocente de todas as sete acusações que enfrenta, entre elas a de homicídio qualificado, durante audiência preliminar realizada na terça-feira (1º) em um tribunal estadual de Provo, em Utah, nos Estados Unidos.

A defesa do jovem tentou, sem sucesso, impedir que o caso fosse levado a julgamento ou, ao menos, retirar a possibilidade de aplicação da pena de morte. Os advogados argumentaram que a promotoria não conseguiu comprovar que o disparo contra Kirk representou risco de morte para outras pessoas presentes no local — fator que, segundo a legislação de Utah, é considerado agravante e pode tornar o réu elegível à pena capital.

Promotoria alega risco a multidão

Os promotores rebateram as alegações da defesa afirmando dispor de "uma montanha de provas" de que Robinson efetuou o disparo contra Kirk a partir de um telhado, a mais de 122 metros de distância do palco, e que ele tinha consciência de que poderia errar o alvo e atingir outras pessoas na multidão, já que o evento era realizado ao ar livre.

"Robinson atirou e matou Charlie Kirk porque discordava dele, e fez isso disparando um rifle de alta potência contra uma multidão de mais de três mil pessoas, o que criou um grande risco de morte que qualquer pessoa saberia que existia", afirmou o promotor Ryan McBride, do gabinete do procurador do condado de Utah.

O juiz distrital Tony Graf tinha a opção de enviar o caso a julgamento sob uma acusação menos grave, de homicídio simples, que prevê pena mínima de 15 anos e máxima de prisão perpétua. Ainda assim, optou por manter a acusação de homicídio qualificado, que abre caminho para a pena de morte. Segundo o magistrado, a decisão levou em conta diversos fatores, entre eles a posição de várias pessoas que estavam dentro e ao redor da tenda onde Kirk discursava no momento do ataque.

Reação da família da vítima

Familiares de Charlie Kirk classificaram a manutenção da acusação como um avanço relevante no processo judicial.

"Cada etapa deste processo carrega o peso de tudo o que o assassinato de Charlie tirou de sua família, especialmente de seus filhos, que crescerão sem o pai", disse a família em comunicado divulgado após a audiência.

Kirk foi atingido por um tiro no pescoço enquanto discursava para uma multidão de milhares de pessoas sob uma tenda montada na Universidade do Vale de Utah, no dia 10 de setembro do ano passado. Ele foi socorrido e levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois. Robinson se apresentou à polícia um dia após o crime.

Provas apresentadas pela acusação

A audiência de terça-feira ocorreu depois que, em julho, os promotores passaram cinco dias apresentando provas contra o acusado, incluindo material de DNA e um bilhete manuscrito que, segundo a acusação, Robinson deixou para seu parceiro romântico. No bilhete, ele teria escrito: "Tive a oportunidade de eliminar Charlie Kirk, e aproveitei."

O promotor Chad Grunander destacou ainda que a suposta arma do crime — um rifle de ferrolho — estava carregada com munição adicional que não chegou a ser disparada, o que, segundo ele, demonstra que Robinson "veio preparado para atirar novamente".

Em julho, investigadores também apresentaram análises de DNA que, de acordo com a acusação, ligam Robinson tanto ao rifle utilizado no crime quanto a uma ferramenta que ele teria empregado para gravar inscrições nos cartuchos das balas. A defesa, no entanto, questionou a confiabilidade desses exames.

Cenário no tribunal

Os pais de Charlie Kirk, Robert e Kathryn Kirk, chegaram ao tribunal de braços dados, sob forte esquema de segurança, antes do início da audiência. A viúva do ativista, Erika Kirk, estava sentada ao lado dos sogros. A família chegou a se retirar brevemente da sala enquanto um dos promotores descrevia detalhes do crime, e Erika e sua sogra se abraçaram de forma prolongada no momento em que o juiz Graf lia sua decisão em voz alta.

Do lado de fora do prédio, integrantes da Turning Point USA, organização fundada por Kirk, se reuniram para acompanhar a saída da família e demonstrar apoio aos parentes da vítima.

Tyler Robinson não demonstrou reação visível diante da decisão do juiz. Já sua mãe, presente na audiência, chorou enquanto Graf lia a determinação que mantém o caso sob a acusação de homicídio qualificado.

Argumentos da defesa

A advogada de Robinson, Staci Visser, sustentou que a promotoria estava tentando "encaixar à força" o caso na legislação de Utah sobre homicídio qualificado. Segundo ela, precedentes judiciais no estado exigem que os promotores comprovem uma alta probabilidade — e não apenas uma possibilidade — de que outras pessoas pudessem ter sido atingidas fatalmente.

"Há um disparo. Há uma bala. Há uma vítima", disse a advogada Staci Visser. "Não há nenhuma evidência de que tenha havido qualquer ação contra outras pessoas."

A defesa argumentou que Kirk estava posicionado em um palco elevado, sem outras pessoas imediatamente próximas a ele, no momento em que foi atingido por um único tiro no pescoço.

Possível motivação política do crime

Além da acusação de homicídio qualificado, Robinson pode enfrentar agravantes adicionais na condenação caso os promotores comprovem que o ataque contra Kirk teve motivação política, relacionada às convicções ideológicas do ativista.

Antes de ser assassinado, Charlie Kirk e a organização Turning Point USA atuaram na mobilização do eleitorado jovem conservador, contribuindo para a campanha que ajudou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a conquistar um segundo mandato.

Os promotores citaram como evidência da motivação política uma bala encontrada no rifle usado no crime, que trazia gravada a inscrição "Ei, fascista! PEGUE!". Segundo a acusação, essa marca demonstra que Kirk foi escolhido como alvo em razão da forma como Robinson interpretava suas posições políticas.

A promotoria também apresentou como prova uma mensagem de texto atribuída a Robinson, na qual ele teria escrito sobre Kirk: "Eu já estava farto do ódio dele. Alguns ódios não podem ser negociados."

A defesa, por sua vez, rebateu esse argumento, afirmando que os promotores não reúnem provas suficientemente sólidas para sustentar a tese de motivação política por trás do crime.

Próximos passos

Com a manutenção da acusação de homicídio qualificado pelo juiz Tony Graf, o processo contra Tyler Robinson seguirá para julgamento, mantendo em aberto a possibilidade de que ele venha a ser condenado à pena de morte caso considerado culpado pela Justiça de Utah.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Jovem Pan (Brasil))

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