Segurança

Irã intensifica ataques de retaliação contra bases dos EUA no Oriente Médio

Guarda Revolucionária mira alvos na Jordânia, Emirados Árabes, Kuwait, Bahrein e Curdistão iraquiano após nova onda de bombardeios americanos e morte de quatro pessoas em casamento

Irã intensifica ataques de retaliação contra bases dos EUA no Oriente Médio

Pexels / Art Guzman

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O Irã intensificou nesta quarta-feira (2) os ataques de retaliação contra alvos americanos no Golfo e em outros pontos do Oriente Médio, em resposta a uma nova campanha de bombardeios promovida pelos Estados Unidos e à morte de quatro pessoas durante um casamento no sul do país. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou ofensivas contra bases americanas localizadas na Jordânia, nos Emirados Árabes Unidos, no Kuwait, no Bahrein e na região autônoma curda do Iraque.

Escalada após advertência de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia alertado na terça-feira (1) que reagiria a uma eventual resposta iraniana "com muito mais força e intensidade". A ofensiva americana anterior, segundo o Exército iraniano e a imprensa estatal do país, já havia provocado 18 mortes antes mesmo dessa nova rodada de ataques.

Desde o início da escalada, o Irã tem utilizado como principal instrumento de pressão o controle que exerce sobre o Estreito de Ormuz, via marítima estratégica onde a atividade comercial permanece em níveis mínimos, exceto em momentos pontuais. Antes do início da guerra, cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e de gás natural liquefeito transitava por essa rota.

A Guarda Revolucionária informou ainda que dois petroleiros sofreram incêndios após colidirem com minas no Golfo, quando navegavam fora da rota de segurança estabelecida pelas autoridades iranianas.

Ataque a casamento deixa mortos e feridos

De acordo com o Crescente Vermelho iraniano, um ataque americano contra uma cerimônia de casamento no sul do Irã, na cidade de Sirik, deixou quatro mortos na terça-feira, entre eles uma criança, além de mais de 50 feridos. Um vídeo divulgado por uma conta ligada ao governo iraniano nas redes sociais mostra escombros e destruição no local do evento, com gritos audíveis ao fundo das imagens.

"Escola de Minab: crianças massacradas. Ginásio de Lamerd: crianças assassinadas. Casamento em Kuhestak: crianças assassinadas ao lado de suas famílias. Se uma potência atua como Satã, escolhe alvos como Satã e mata como Satã, é Satã", afirmou o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em publicação na rede social X, retomando termo usado com frequência contra Washington desde a Revolução Islâmica de 1979.

O Exército americano não se pronunciou diretamente sobre as acusações, mas o porta-voz do Comando Central (CENTCOM), Tim Hawkins, rebateu as críticas.

"As Forças Armadas dos Estados Unidos nunca atacam civis, ao contrário da Guarda Revolucionária" iraniana, declarou Tim Hawkins, porta-voz do CENTCOM.

Retomada dos combates no fim de semana

Os combates entre os dois países recomeçaram no domingo, quando Washington atacou alvos iranianos nas primeiras ações do tipo registradas em várias semanas. Em resposta, as forças de Teerã atingiram tropas americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos. Na mesma onda de hostilidades, dois petroleiros foram atingidos por projéteis em ataques cuja autoria não foi reivindicada por nenhuma das partes.

"Represália pela tentativa fracassada dos iranianos de colocar minas navais no estreito" e pelo "lançamento por parte dos iranianos de oito mísseis, todos interceptados com sucesso, contra nossa base militar na Jordânia", disse Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ao justificar os ataques classificados por ele como "contundentes".

Novos bombardeios e mortes registradas

Segundo a televisão estatal iraniana, a ofensiva americana desta terça-feira provocou explosões no sul do país, ao longo do Estreito de Ormuz, e também em uma ilha localizada no Golfo. A emissora relatou ainda um ataque americano contra um aeroporto na província de Kerman.

Na província de Khuzestan, no sul do Irã, sete pessoas morreram e oito ficaram feridas, de acordo com informações da agência oficial iraniana IRNA.

A Guarda Revolucionária confirmou que quatro integrantes de sua força aeroespacial morreram em um ataque americano na província de Kermanshah, no oeste do país, enquanto três paramilitares perderam a vida em um ataque contra a ilha de Lavan, no Golfo.

Retaliação iraniana em múltiplas frentes

O exército ideológico do Irã afirmou que as ações de represália incluíram um ataque coordenado com mísseis e drones contra bases americanas em Erbil, no Curdistão iraquiano, que teria destruído um centro de manutenção, armazéns e o sistema de orientação de um aeróstato de vigilância americano, segundo comunicado divulgado pela agência estatal IRNA.

A Guarda Revolucionária anunciou também um ataque com mísseis balísticos contra um campo de treinamento de fuzileiros navais americanos na Jordânia, na região do Golfo de Aqaba, área próxima às fronteiras com Israel e Arábia Saudita, conforme divulgado pela agência iraniana Tasnim.

Contexto da guerra no Oriente Médio

A guerra no Oriente Médio teve início no fim de fevereiro, com uma ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, já no primeiro dia de combates. Desde então, as forças americanas também mantêm um bloqueio naval contra os portos iranianos.

Um frágil cessar-fogo firmado em abril entre Estados Unidos e Irã chegou ao fim após uma sequência de ataques a navios mercantes no Estreito de Ormuz, região onde os incidentes continuam ocorrendo. Na segunda-feira, dois marinheiros filipinos morreram em um ataque contra um petroleiro na área, segundo informou a empresa de navegação estatal saudita Bahri.

Apesar do impasse diplomático entre os dois países, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assumiu o compromisso na terça-feira de responder a qualquer iniciativa americana que busque viabilizar um novo acordo capaz de colocar fim à guerra.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Jovem Pan (Brasil))

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