Pesquisadora dos EUA estuda corrida com carrinho de bebê e aponta benefícios para pais atletas
Professora de ciência do movimento da Universidade Estadual da Pensilvânia uniu maternidade e pesquisa científica para avaliar segurança e vantagens da prática
Wikimedia Commons / Nathaniel C. Sheetz
Uma professora de ciência do movimento e engenharia mecânica na Pensilvânia, nos Estados Unidos, encontrou uma forma de conciliar a maternidade com a prática de atividade física: correr empurrando o carrinho do próprio bebê. Corredora experiente e pesquisadora em tempo integral, Allison Altman-Singles passou a incluir o filho nos treinos que conseguia encaixar entre reuniões de trabalho e os horários de sono da criança, e essa rotina pessoal acabou se transformando em objeto de estudo científico.
Como cientista, Altman-Singles começou a se questionar se a prática era realmente segura, tanto para ela quanto para o bebê. Além de adquirir um carrinho específico para corrida, ela decidiu investigar o tema a fundo, utilizando os recursos do próprio laboratório onde trabalha, na Universidade Estadual da Pensilvânia (Penn State), nos Estados Unidos.
A conclusão da pesquisa mostrou que correr com o carrinho de bebê não apenas pode ser seguro, como também tem potencial para prevenir lesões no atleta, ainda que a prática exija cuidados especiais tanto com os pais quanto com as crianças.
A partir de que idade é possível correr com o carrinho
Segundo orientação da Academia Americana de Pediatria, a criança precisa apresentar bom controle do pescoço e do tronco antes de ser levada para corridas em carrinho. Esse desenvolvimento motor costuma ocorrer até os oito meses de idade, mas a recomendação mínima estabelecida é de seis meses.
Durante todo o primeiro ano de vida do bebê, a orientação é correr apenas em rotas planas, evitando superfícies acidentadas que possam causar trepidação excessiva. Os cintos de segurança do carrinho devem estar sempre bem ajustados e adequados ao tamanho da criança.
Os modelos mais indicados para essa prática são os carrinhos específicos para corrida e caminhada, geralmente equipados com três rodas e recursos de amortecimento e freio. No mercado, os preços desses equipamentos variam de R$ 3 mil a R$ 16 mil.
O que revelou o estudo sobre lesões
O estudo, publicado por Allison Altman-Singles em conjunto com os pesquisadores Houn G. Kim e Andrew Friesen no início de agosto, mapeou a incidência de lesões entre dois grupos de corredores: aqueles que empurravam carrinhos de bebê durante os treinos e aqueles que corriam sem o equipamento. Todos os participantes já eram corredores experientes antes de terem filhos, e o grupo foi selecionado de forma a manter semelhanças em idade, altura, peso e distância percorrida nos treinos.
Os resultados mostraram uma diferença expressiva entre os dois grupos: entre os corredores sem carrinho, 30% relataram ter sofrido algum tipo de lesão, incluindo dores, inflamações e fascite plantar. Já entre os corredores que utilizavam o carrinho de bebê, esse percentual caiu para 19%.
De acordo com a pesquisa, as diferenças de postura e movimento observadas na prática ajudam a explicar esse resultado. Ao empurrar o carrinho, os corredores tendem a se inclinar levemente para frente, adotar passadas mais curtas e frequentes, além de reduzir a velocidade da corrida. Com o apoio sutil proporcionado pelo objeto, parte das forças de impacto que normalmente incidiriam sobre o corpo do corredor passa a ser absorvida pelo carrinho — o estudo aponta que até 16% do impacto vertical é transferido para o equipamento.
Como correr com segurança
O bacharel em Educação Física e treinador de corrida Paulo Victor Figueira compartilhou em suas redes sociais orientações de postura e movimento que podem ajudar a manter a integridade física de quem pratica a corrida com carrinho de bebê.
Segundo as recomendações, o corpo deve permanecer levemente inclinado para a frente, com o abdômen ativado, evitando curvar a coluna ou apoiar todo o peso do corpo sobre o carrinho. A orientação também indica que apenas uma mão deve segurar o carrinho por vez, com o corredor alternando a pegada ao longo da prática para evitar sobrecarga em um único lado do corpo.
O estudo desenvolvido pela equipe de Allison Altman-Singles reforça que, respeitadas as recomendações de idade mínima do bebê, escolha adequada do equipamento e cuidados posturais, a corrida com carrinho pode se tornar uma alternativa viável para pais e mães que buscam manter a rotina de exercícios físicos mesmo após a chegada dos filhos, unindo maternidade, paternidade e atividade física de forma segura.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de CNN Brasil)