Nepal supera mil mortos após enchentes e deslizamentos devastadores
Colapso de geleira na fronteira com a China provocou avalanche de gelo, rochas e lama; milhares ainda estão desaparecidos
Wikimedia Commons / Shahid Parvez. Based on a file by Ssolbergj
O número de mortos causados pelas enchentes no Nepal ultrapassou a marca de 1.000 nesta terça-feira, enquanto equipes de resgate seguem utilizando maquinário pesado, helicópteros e escavadeiras para tentar localizar milhares de pessoas ainda desaparecidas. O balanço ocorre quase uma semana depois que um desastre de grandes proporções no Himalaia deixou um rastro de destruição por cidades e vales do país.
Colapso de geleira desencadeou tragédia
O desastre teve origem no colapso de uma geleira registrado em 26 de agosto, que provocou uma violenta enxurrada de gelo, rochas e lama. A massa devastadora varreu a região de fronteira do Nepal com a China, atingindo comunidades, infraestrutura e projetos de geração de energia instalados na área montanhosa.
Segundo balanço divulgado pela autoridade de gestão de desastres do país, o número total confirmado de mortos chegou a 1.003. Ainda há cerca de 4.000 pessoas desaparecidas, entre elas 590 estrangeiros oriundos de 39 países diferentes, o que amplia a dimensão internacional da tragédia.
Trabalhadores presos em usinas hidrelétricas
Um dos principais focos das operações de resgate são as usinas hidrelétricas atingidas pela enxurrada. De acordo com a autoridade de gestão de desastres do Nepal, pelo menos 639 pessoas continuam presas em diversas dessas instalações, que ficaram seriamente danificadas pela força da lama e das rochas.
Equipes especializadas de resgate da China, da Índia e do próprio Nepal montaram pontes temporárias para alcançar áreas remotas de difícil acesso. Nos locais onde funcionavam os projetos hidrelétricos no Himalaia, as equipes escavaram entre as ruínas com o auxílio de escavadeiras, trabalhando para retirar cerca de 300 trabalhadores que estavam presos dentro de túneis.
Mais de 11 mil resgatados
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, informou que mais de 11.000 pessoas já foram resgatadas em toda a região afetada pelo desastre. Ele afirmou ainda que as linhas de energia e de comunicação foram restabelecidas em algumas localidades, e prometeu apoio às famílias que perderam suas moradias.
"Milhares de cidadãos perderam suas casas, famílias, entes queridos e bens", afirmou o primeiro-ministro Balendra Shah, em publicação nas redes sociais feita na madrugada de segunda-feira.
As equipes de resgate conseguiram restaurar o acesso viário até Nuwakot, um dos distritos mais duramente atingidos pelas enchentes e deslizamentos, o que tem facilitado tanto as operações de busca quanto a distribuição de materiais de socorro à população local, segundo o próprio Shah.
Militares mobilizados e relatos de sobreviventes
O Exército do Nepal informou que mais de 9.200 militares foram mobilizados nas áreas afetadas pelo desastre. As tropas atuam coordenando as buscas e o resgate de feridos, auxiliando no gerenciamento dos corpos das vítimas, desobstruindo estradas bloqueadas por deslizamentos e realizando atendimentos médicos de emergência.
Relatos de moradores atingidos mostram a urgência com que as famílias precisaram deixar suas casas. Uma sobrevivente do distrito de Rasuwa, uma das regiões mais duramente atingidas, contou ter caminhado até a localidade de Nuwakot acompanhada por dezenas de outros moradores que também sobreviveram ao desastre.
"Não tivemos tempo de pegar nada antes de fugir. O que estamos vestindo é a única roupa que temos. E mesmo assim está molhada pela chuva", relatou a sobrevivente do distrito de Rasuwa.
China reforça apoio na fronteira
Do lado chinês da fronteira, equipes de resgate trabalharam durante toda a noite para reabrir o acesso à área que faz limite com o Nepal. A região é marcada por um desfiladeiro montanhoso e íngreme, com penhascos instáveis de um lado e canais de rios com correnteza forte do outro, o que torna as operações particularmente arriscadas.
O Ministério das Relações Exteriores da China informou que o país enviará especialistas em testes de DNA às áreas atingidas pelo desastre, além de um segundo lote de suprimentos de emergência. Segundo o ministério, o novo envio de equipamentos incluirá drones e sistemas de purificação de água, reforçando a ajuda internacional prestada ao Nepal diante da magnitude da tragédia.
As autoridades nepalesas continuam concentrando esforços na busca por sobreviventes, especialmente nas áreas de mais difícil acesso, enquanto o número de desaparecidos ainda elevado mantém a expectativa de que o balanço de vítimas possa aumentar nos próximos dias.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InfoMoney)