Economia

Indústria dos Estados Unidos perde ritmo em agosto, mas preços dos insumos seguem pressionados

Índice de novos pedidos do ISM recua e emprego no setor desacelera, enquanto inflação na porta da fábrica permanece elevada

Indústria dos Estados Unidos perde ritmo em agosto, mas preços dos insumos seguem pressionados

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A atividade industrial dos Estados Unidos apresentou desaceleração em agosto, na sequência de um mês de forte crescimento em julho, com queda nas novas encomendas e manutenção de preços elevados nos insumos, em meio a tensões persistentes nas cadeias de suprimentos globais. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, pelo Instituto de Gestão de Suprimentos (ISM), com sede em Washington, e repercutidos pela agência Reuters.

PMI cai mas permanece em zona de expansão

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor manufatureiro americano recuou para 54,6 em agosto, ante 55,6 registrado em julho — que havia sido a maior marca desde maio de 2022. O resultado ficou abaixo da expectativa de economistas ouvidos pela Reuters, que previam um PMI de 55,2 para o período.

Apesar da queda, o indicador se manteve acima do patamar de 50 pontos, nível que separa expansão de contração da atividade. Segundo o levantamento, o PMI tem permanecido acima desse limiar ao longo de todo o ano de 2026, sinalizando crescimento contínuo, ainda que em ritmo mais moderado, no setor manufatureiro do país.

Guerra entre EUA, Israel e Irã pode explicar parte da retração

De acordo com a análise da Reuters, parte do enfraquecimento observado em agosto pode ser reflexo da perda de força de um movimento anterior das empresas, que haviam antecipado pedidos como forma de se proteger de possíveis aumentos de preços e de problemas de escassez decorrentes do conflito de seis meses envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Com o arrefecimento desse efeito de antecipação, as novas encomendas perderam fôlego no mês passado, contribuindo para a desaceleração geral do setor industrial americano.

Setor representa quase 10% da economia dos EUA e é impulsionado pela IA

O setor manufatureiro responde por cerca de 9,4% da economia norte-americana e continua sendo sustentado pela expansão da inteligência artificial, segundo o relatório do ISM. A expectativa do mercado é de que a atividade receba um novo impulso à medida que as empresas comecem a repor estoques.

Os estoques das companhias vêm diminuindo há cinco trimestres consecutivos, o período mais longo de redução contínua desde a Grande Recessão, o que abre espaço para uma eventual recomposição nos próximos meses, fator que pode sustentar a demanda industrial adiante.

Novos pedidos e emprego nas fábricas recuam

O índice de novos pedidos da pesquisa do ISM caiu para 53,7 em agosto, ante 56,7 registrado em julho, confirmando a perda de ritmo nas encomendas do setor. Já o estoque de trabalhos inacabados diminuiu no período, ainda que os pedidos voltados à exportação tenham apresentado ligeiro aumento.

O indicador de emprego nas fábricas também recuou, indo a 51,2 em agosto, depois de ter se recuperado em julho para 52,8 — o nível mais alto desde agosto de 2022. Apesar da queda, o próprio ISM reconhece que esse indicador tem se mostrado um mau sinalizador do comportamento real do emprego industrial, tal como reportado no relatório mensal oficial de emprego do governo americano.

Uma pesquisa da Reuters com economistas indica que o emprego na indústria deve ter permanecido fraco em agosto. Por outro lado, a expectativa é de que o número total de empregos não agrícolas no país se recupere, após a queda inesperada registrada em julho. O relatório oficial de emprego do governo dos Estados Unidos será divulgado nesta sexta-feira.

Cadeias de suprimentos continuam pressionadas

Mesmo com a retração nos pedidos, a pressão sobre as cadeias de abastecimento não diminuiu. O índice de entregas dos fornecedores, medido pela pesquisa do ISM, subiu de 58,9 em julho para 59,3 em agosto. Como valores acima de 50 pontos indicam entregas mais lentas, o resultado mostra que os prazos de fornecimento voltaram a se alongar.

As restrições no abastecimento fizeram com que a inflação medida na porta da fábrica permanecesse elevada no mês passado. O indicador da pesquisa sobre os preços pagos pelos insumos ficou estável em 71,1, o mesmo patamar do mês anterior, sugerindo que a inflação ao produtor poderá seguir acima da meta de 2% do Federal Reserve, banco central americano, por um período mais longo.

Contexto no câmbio

Na véspera da divulgação dos dados do ISM, o dólar à vista encerrou a sessão de segunda-feira com queda de 0,28%, cotado a R$ 5,1814. Em outro indicador da economia americana, relatório do Departamento do Trabalho apontou a existência de 7,3 milhões de postos de trabalho disponíveis no país, número ligeiramente abaixo da projeção do mercado, enquanto o dado referente a junho foi revisado para baixo.

Os próximos indicadores aguardados pelo mercado incluem o relatório oficial de emprego do governo americano, previsto para esta sexta-feira, que deve trazer mais clareza sobre a real situação do mercado de trabalho industrial e sobre os rumos da política monetária conduzida pelo Federal Reserve diante da inflação persistente nos insumos.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InfoMoney)

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