Chevron anuncia investimento de US$ 7 bilhões para dobrar produção de petróleo na Venezuela
Empresa americana assume dois campos na Faixa do Orinoco e projeta produzir 600 mil barris por dia até 2031, no maior aporte do setor desde a saída de Maduro do poder
Wikimedia Commons / Cancillería Ecuador from Ecuador
A Chevron Corporation anunciou nesta quarta-feira que investirá US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos, por meio de suas joint ventures, para mais do que dobrar a produção de petróleo bruto na Venezuela. O aporte é o maior compromisso financeiro já feito no âmbito de uma iniciativa liderada pelo governo dos Estados Unidos para recuperar a indústria petrolífera do país latino-americano, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, mas viu sua produção despencar após anos de má gestão, corrupção e sanções internacionais.
Chevron assume novos campos na Faixa do Orinoco
Com sede em Houston, a Chevron conquistou o direito de desenvolver dois grandes campos de petróleo na região de Carabobo, área que integra a rica Faixa do Orinoco. Os campos, batizados de Carabobo 1 e Carabobo-2-South-A, ficam ao lado da joint venture Petroindependencia, na qual a empresa já detém participação de 49%. A movimentação da Chevron para assumir os dois campos havia sido antecipada pela Bloomberg News no início da semana.
O acordo representa o investimento de capital mais significativo feito por uma grande petrolífera no país desde que forças especiais dos Estados Unidos capturaram o ex-líder Nicolás Maduro, em janeiro. Com a saída de Maduro do poder, o governo americano tem buscado atrair investimentos privados para reerguer o setor de combustíveis fósseis venezuelano.
"Estamos construindo uma posição muito forte naquela que consideramos ser uma das melhores formações geológicas do país. São bilhões de barris de recursos disponíveis", disse o CEO da Chevron, Mike Wirth, em entrevista.
Governo dos EUA também investe em concessões venezuelanas
Paralelamente ao movimento da Chevron, o governo dos Estados Unidos negociou no início desta semana a compra de uma participação de 35% na North American Blue Energy Partners (NABEP), empresa privada que recebeu concessões de 100 anos para explorar 17 campos de petróleo na Venezuela.
Wirth se recusou a comentar o investimento do governo americano na NABEP, mas afirmou reconhecer o empenho do governo Trump em viabilizar "soluções comerciais" que beneficiem tanto os Estados Unidos quanto a Venezuela.
"O governo reconhece que os recursos energéticos da Venezuela podem ser um motor tanto para a segurança energética dos Estados Unidos quanto para a recuperação econômica da Venezuela", declarou o executivo.
Segundo Wirth, a Chevron incluiu "proteções significativas" no acordo firmado para resguardar seus investimentos, embora não tenha detalhado os termos contratuais. A empresa espera voltar a contabilizar parte das reservas venezuelanas em seus balanços financeiros, após ter registrado uma baixa contábil sobre esses ativos alguns anos atrás.
Meta é chegar a 600 mil barris por dia até 2031
Até o momento, empresas privadas de menor porte vinham liderando os esforços dos Estados Unidos para fechar acordos petrolíferos na Venezuela, mas o avanço tem sido lento, já que essas companhias não possuem capacidade financeira equivalente à da Chevron para adquirir os equipamentos de perfuração e produção necessários para ampliar a extração em larga escala.
A Chevron projeta produzir cerca de 600 mil barris de petróleo por dia na Venezuela até 2031, mais do que o dobro do volume atual extraído pela empresa no país. Segundo a companhia, o potencial dos recursos petrolíferos venezuelanos deve se manter por "décadas", com custos totais de produção estimados em menos de US$ 20 por barril.
Nesta quarta-feira, o petróleo do tipo Brent era negociado a cerca de US$ 94 por barril, o que indica uma margem de lucro expressiva para a operação. A Chevron costuma exportar o petróleo extraído na Venezuela para refinarias localizadas na Costa do Golfo dos Estados Unidos, onde o insumo é transformado em produtos como gasolina, diesel e combustível de aviação.
Os 300 mil barris adicionais por dia que a empresa pretende produzir ao longo dos próximos cinco anos representam um aumento de quase 30% em relação à produção total atual da Venezuela, estimada em cerca de 1,1 milhão de barris por dia.
Ainda assim, mesmo com os novos investimentos, o país permanecerá muito abaixo dos quase 3,5 milhões de barris diários que produzia no fim da década de 1990, antes de o então presidente Hugo Chávez nacionalizar a indústria petrolífera venezuelana.
Trajetória incomum em meio a sanções e nacionalizações
Concorrentes como ExxonMobil e ConocoPhillips deixaram a Venezuela em meados dos anos 2000, após terem seus ativos nacionalizados pelo governo local. A Chevron, no entanto, optou por permanecer no país e negociou acordos que lhe permitiram continuar produzindo petróleo mesmo diante do cenário adverso.
A permanência da empresa na Venezuela foi um movimento incomum, que recebeu críticas tanto nos Estados Unidos quanto no próprio país sul-americano. Críticos americanos acusaram a Chevron de canalizar recursos financeiros para um regime considerado corrupto, enquanto parte da população venezuelana passou a enxergar a presença da companhia como símbolo duradouro do imperialismo americano na região.
As operações da Chevron ficaram limitadas durante grande parte da última década em razão das sanções impostas pelos Estados Unidos, que eram aplicadas e posteriormente suspensas em diferentes momentos. Essas restrições confinaram a empresa, principalmente, à manutenção de equipamentos já existentes e à recuperação de dívidas devidas por sua parceira, a estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA).
A companhia, por sua vez, sustenta que sua presença contínua no país ajudou a estabilizar a economia venezuelana, ao fornecer dólares em um período marcado por hiperinflação e desordem econômica, além de contribuir para o abastecimento do mercado global de petróleo.
Posição estratégica após queda de Maduro
Essa estratégia de permanência colocou a Chevron em posição privilegiada no momento em que o governo Trump retirou Maduro do poder no início deste ano, permitindo à empresa avançar rapidamente nas negociações para ampliar sua atuação no país assim que as condições políticas se tornaram favoráveis.
Segundo Wirth, o novo acordo anunciado se beneficia diretamente das boas condições em que se encontravam as operações já existentes da empresa na Venezuela, resultado do trabalho mantido mesmo durante os períodos mais instáveis.
"Isso se deve à dedicação e ao comprometimento dessas boas pessoas, que trabalharam durante anos de incerteza e ansiedade", afirmou o CEO da Chevron, referindo-se aos funcionários da empresa no país.
Com o novo aporte de US$ 7 bilhões, a Chevron consolida sua posição como a principal petrolífera estrangeira operando na Venezuela e amplia sua aposta na recuperação do setor energético do país, em um momento de reorganização política e econômica após a saída de Maduro do poder.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InvestNews)