Saúde

Surto de Ebola na República Democrática do Congo já matou mais de 3 mil pessoas

Epidemia se tornou a mais letal da história do país e continua se espalhando pelo nordeste do território, segundo o governo congolês

Surto de Ebola na República Democrática do Congo já matou mais de 3 mil pessoas

Wikimedia Commons / Nightstallion

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Nesta quarta-feira (2), o número de mortes decorrentes do surto de Ebola na República Democrática do Congo ultrapassou 3 mil, segundo dados divulgados pelo governo do país. A pior epidemia da história congolesa continua a se espalhar pelo nordeste do território, preocupando autoridades locais e internacionais.

O surto é causado pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola e já se tornou o maior e mais letal da história da República Democrática do Congo, superando a epidemia registrada entre 2018 e 2020. Atualmente, o surto atual fica atrás apenas da epidemia ocorrida na África Ocidental entre 2014 e 2016, que infectou mais de 28.600 pessoas e matou mais de 11 mil nos países da Guiné, Libéria e Serra Leoa.

O que é o Ebola e como se transmite

A doença causada pelo vírus Ebola é grave e frequentemente fatal. Segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, os sintomas incluem febre, dores no corpo, vômitos e diarreia. A transmissão ocorre pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, com materiais contaminados ou com corpos de pessoas que morreram em decorrência da doença.

O surto atual é o 17º registrado na República Democrática do Congo desde a descoberta do vírus, em 1976, o que evidencia a recorrência histórica da doença no país africano.

Atuação da OMS e primeiros alertas

Em 15 de maio de 2026, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o órgão estava apoiando as autoridades congolesas no controle de um surto de Ebola identificado no nordeste do país.

"O Ministério da Saúde tem o prazer de anunciar que Uganda declarou oficialmente o fim do surto de Ebola de 2026. Portanto, neste momento, Uganda está livre de Ebola", informou nota do Ministério da Saúde ugandense, em referência a um surto distinto controlado no país vizinho.

Tedros declarou que a OMS tinha conhecimento, na ocasião, de 13 casos confirmados por um laboratório localizado na capital congolesa, Kinshasa. Segundo o dirigente, uma equipe da organização havia sido enviada à província de Ituri em 5 de maio, após relatos de casos suspeitos, embora as amostras iniciais testadas tenham dado resultado negativo para Ebola.

Ainda naquele mesmo dia, 15 de maio, a principal agência de saúde pública da África informou a confirmação oficial de um surto de Ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo. Até aquele momento, haviam sido registradas 65 mortes entre 246 casos suspeitos da doença.

Ataques a hospitais dificultam resposta ao surto

Agências humanitárias suspenderam parte das atividades de resposta ao Ebola em Nyakunde, no leste da República Democrática do Congo, depois que uma multidão revoltada atacou o Hospital de Nyakunde em 15 de julho. O episódio forçou pacientes e equipes de resposta a fugirem do local.

A violência teve início após a reação de membros da comunidade à morte de um paciente com Ebola no hospital, representando mais um revés para os esforços de contenção do que já é considerado o pior surto da doença no país em anos.

O ataque em Nyakunde ocorreu na sequência de episódios semelhantes de violência contra instalações de tratamento de Ebola e equipes de resposta registrados em Mongbwalu e Rwampara. Os incidentes evidenciam os desafios que as autoridades de saúde continuam a enfrentar, decorrentes da desconfiança da comunidade local e da insegurança na região.

Comparação com outras crises históricas

Autoridades de saúde têm classificado o atual surto como um marco preocupante em termos de velocidade de propagação e letalidade.

"Esta é a crise de Ebola — o surto de Ebola — que mais cresce na história. Para efeito de comparação: nos últimos dois meses, mil pessoas morreram. Na África Ocidental, levou oito meses para que mil pessoas morressem, referindo-se à crise de Ebola na região entre 2014 e 2016. Isso significa que houve um aumento de quatro vezes no número de mortes em um curto período de tempo. E acredito que isso, por si só, exige a atenção do mundo", declarou uma autoridade de saúde envolvida na resposta ao surto.

Esforços de vacinação em curso

Como parte da estratégia de combate à propagação do vírus, a República Democrática do Congo recebeu mais de 16 mil doses de uma vacina contra o Ebola em uma sexta-feira, dia 21, enquanto as autoridades intensificam os esforços de imunização.

Na ocasião, o surto já havia infectado mais de 5 mil pessoas e matado mais de 2.300, segundo informou o ministro da Saúde do país, Roger Kamba. Os números, no entanto, seguiram crescendo nas semanas seguintes até ultrapassar a marca de 3 mil mortes confirmadas nesta quarta-feira (2).

As autoridades sanitárias congolesas, com apoio de organismos internacionais como a OMS, seguem trabalhando para conter a disseminação do vírus, ampliar a cobertura vacinal e reduzir a resistência de comunidades locais às medidas de resposta, fator que tem se mostrado um dos principais obstáculos ao controle da epidemia.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de CNN Brasil)

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