JPMorgan reafirma Petrobras, Vibra e Ultrapar como preferidas em cenário de oferta restrita de derivados
Banco aponta que margens de refino e distribuição estão mais favoráveis que o petróleo bruto, beneficiando as três companhias
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O banco de investimentos JPMorgan mantém Petrobras (PETR3; PETR4), Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) como suas ações preferidas no setor de petróleo, em um momento em que o mercado global de derivados enfrenta restrições de oferta. A avaliação foi divulgada em relatório do banco nesta quarta-feira (02/09/2026), atualizado às 12h40.
Segundo a instituição financeira, apesar de os preços do petróleo poderem se normalizar de forma gradual com a retomada da oferta global, é no segmento de refino e distribuição de combustíveis que está a dinâmica mais favorável para investidores, já que os estoques e a oferta de produtos derivados continuam mais apertados do que a oferta de petróleo bruto.
Tensões geopolíticas pressionam oferta de derivados
O relatório do JPMorgan atribui o cenário de restrição a uma combinação de fatores: tensões geopolíticas, ataques a instalações russas, baixos níveis de estoques de combustíveis mundo afora e restrições às exportações de diversos países. Essa conjunção de elementos vem reduzindo a oferta global de derivados de petróleo, como gasolina e diesel.
Como consequência direta dessa escassez, as margens de refino — os chamados "cracks", que representam a diferença entre o preço do petróleo bruto e o preço dos produtos refinados — subiram muito mais do que o próprio preço do petróleo. De acordo com o banco, desde o início do conflito, o petróleo tipo Brent avançou cerca de 30%, saindo de aproximadamente US$ 70 para US$ 90 por barril.
Enquanto isso, os cracks de gasolina praticamente dobraram, chegando à faixa de US$ 50 a US$ 60 por barril, e os cracks de diesel também dobraram, atingindo entre US$ 90 e US$ 100 por barril, segundo os dados apresentados pelo JPMorgan.
Déficit de diesel amplia exposição do Brasil ao cenário externo
O relatório destaca que, no caso brasileiro, o déficit estrutural de diesel amplia a exposição do país a esse cenário internacional de restrição de oferta. Mesmo com as refinarias nacionais operando em níveis elevados de utilização, o Brasil ainda depende de importações para atender parte de sua demanda interna de diesel.
Por conta dessa dependência, os preços internacionais dos derivados e os custos de importação continuam influenciando diretamente o custo marginal de abastecimento do mercado doméstico brasileiro, segundo a análise do banco.
Petrobras é a principal preferência do banco
Entre as três companhias citadas, o JPMorgan destaca a Petrobras (PETR3; PETR4) como sua principal preferência, por combinar exposição direta ao segmento de refino com um modelo de negócios integrado, que abrange desde a produção até a distribuição de combustíveis.
De acordo com o relatório, a estatal brasileira atingiu 101,2% de utilização das refinarias no segundo trimestre de 2026, o que representa um recorde histórico para a companhia. Esse nível elevado de utilização permitiu à Petrobras elevar a produção de derivados em 5,6% no trimestre, alcançando 1,918 milhão de barris por dia.
O aumento da produção doméstica de derivados teve outro efeito relevante: reduziu as importações de derivados da estatal para 67 mil barris por dia, o menor nível trimestral já registrado pela companhia. Para o JPMorgan, margens de refino sustentadas em níveis elevados podem oferecer à Petrobras uma fonte adicional de resiliência financeira, compensando parcialmente um eventual movimento de normalização dos preços do petróleo bruto no mercado internacional.
O banco projeta que a Petrobras está sendo negociada atualmente a 3,5 vezes o indicador EV/Ebitda estimado para 2027, com um yield de fluxo de caixa livre de 12,8%, números que reforçam a avaliação positiva da instituição sobre a ação da estatal.
Vibra e Ultrapar se beneficiam da distribuição
Para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), o JPMorgan enxerga um ambiente igualmente favorável, mas voltado ao segmento de distribuição de combustíveis. Como o Brasil depende de importações para equilibrar sua oferta doméstica de derivados, os custos internacionais mais elevados acabam se refletindo nos preços marginais cobrados dos consumidores finais.
O relatório aponta ainda que as grandes distribuidoras de combustíveis, caso de Vibra e Ultrapar, têm maior acesso ao fornecimento direto da Petrobras, o que favorece o mix de abastecimento dessas empresas em comparação com concorrentes de menor porte, que dependem mais fortemente de importações para suprir suas operações.
O banco estima que a Vibra esteja sendo negociada a um múltiplo de 6,3 vezes EV/Ebitda projetado para 2027, enquanto a Ultrapar apresenta múltiplo de 6,5 vezes para o mesmo indicador e período. Segundo a avaliação do JPMorgan, ambas as companhias devem continuar se beneficiando de sua escala de operação e de um ambiente competitivo considerado mais racional no setor de distribuição de combustíveis, especialmente após a adoção de medidas de combate ao mercado irregular de combustíveis no país.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InfoMoney)