Sucessor de Buffett afirma que Berkshire manterá investimentos no Japão por décadas
Greg Abel disse que participações em cinco grandes trading companies japonesas são estratégia de longo prazo e comentou planos para imóveis, IA e energia nos EUA
Wikimedia Commons / Tankforwin
O CEO da Berkshire Hathaway, Greg Abel, afirmou nesta quarta-feira que o conglomerado pretende manter por décadas os investimentos que possui em cinco das maiores empresas de comércio do Japão, após ter elevado sua participação em cada uma delas para mais de 10% nos últimos anos. A declaração foi dada em entrevista à emissora americana CNBC, concedida diretamente do Japão.
Segundo Abel, a Berkshire espera que os resultados dessas companhias japonesas continuem crescendo, o que poderia abrir espaço para o pagamento de dividendos maiores e para novas rodadas de recompra de ações no futuro.
"É realmente um investimento de longo prazo que pretendemos manter por muitas décadas", disse Greg Abel, CEO da Berkshire Hathaway.
Participação em cinco tradings japonesas
A Berkshire Hathaway começou a investir nas empresas Mitsubishi, Mitsui & Co., Itochu, Sumitomo e Marubeni há seis anos. Desde então, o conglomerado liderado por Warren Buffett e agora por Greg Abel aumentou gradualmente sua participação nas cinco companhias, ultrapassando o patamar de 10% de participação em cada uma delas.
Além disso, a Berkshire também emite regularmente títulos de dívida denominados em iene, moeda japonesa, o que reforça a estratégia de exposição ao mercado do país asiático.
Outro sinal do interesse crescente da Berkshire pelo Japão foi o investimento estratégico de 2,49% na Tokio Marine Holdings, anunciado em março deste ano. A intenção declarada é que a Berkshire trabalhe em conjunto com a seguradora japonesa em investimentos internacionais, incluindo possíveis fusões e aquisições.
Possível aquisição envolvendo a Tokio Marine
No mês passado, o jornal britânico Financial Times informou que a Tokio Marine avalia a compra da Suncorp Group, depois de já ter analisado possíveis negócios com a Insurance Australia Group e com a canadense Intact Financial.
Questionado sobre o tema, Greg Abel disse que apoiaria uma eventual aquisição caso ela faça sentido tanto para a Tokio Marine quanto para a Berkshire Hathaway. No entanto, o executivo não quis comentar especificamente quais empresas estão sendo avaliadas pela seguradora japonesa neste momento.
Aposta no mercado imobiliário americano
Na mesma entrevista, Abel também explicou os motivos que levaram a Berkshire a comprar a Taylor Morrison Home, uma das maiores construtoras residenciais dos Estados Unidos.
O executivo afirmou não esperar uma recuperação rápida do mercado imobiliário norte-americano no curto prazo, mas disse ver potencial de crescimento relevante para o setor no longo prazo.
"O sonho americano continuará existindo e, daqui a cinco ou dez anos, este será um ativo muito forte para a Berkshire", disse Greg Abel.
Apesar da visão otimista para o futuro, Abel reconheceu que o setor imobiliário deve passar por dificuldades no curto e médio prazo, com um cenário mais desafiador para os próximos anos.
"Um período difícil por algum tempo", afirmou Abel sobre as perspectivas atuais do mercado imobiliário nos Estados Unidos.
Investimento de US$ 10 bilhões na Alphabet
Abel também contou como surgiu o investimento de US$ 10 bilhões da Berkshire Hathaway na Alphabet, empresa controladora do Google. Segundo o CEO, a aplicação foi iniciada pelo próprio Warren Buffett no ano passado e está ligada principalmente aos planos da gigante de tecnologia para avançar no desenvolvimento de inteligência artificial.
Energia e o crescimento da inteligência artificial
A Berkshire também pretende aproveitar o crescimento acelerado da inteligência artificial por meio de sua subsidiária de energia, a Berkshire Hathaway Energy. Segundo Abel, a companhia pode se beneficiar diretamente do aumento da demanda por eletricidade proveniente dos grandes operadores de data centers, conhecidos no mercado como hyperscalers.
Apesar do potencial identificado, o CEO disse estar atento à resistência que algumas comunidades locais têm demonstrado em relação a determinados projetos de data centers instalados em suas regiões.
Segundo Abel, a Berkshire Hathaway só apoiará esse tipo de empreendimento se ele não elevar os preços de energia para os demais consumidores da região e se houver apoio efetivo da comunidade local ao projeto. Ele acrescentou que também será necessário que os moradores compreendam com clareza os possíveis impactos das instalações sobre os recursos hídricos disponíveis na área.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InvestNews)