Dólar fecha em alta no Brasil em meio a tensões no Oriente Médio e cautela com o Fed
Moeda norte-americana avançou 0,44% nesta terça-feira, cotada a R$5,2229, com mercado atento à ata do banco central americano e à escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos
Wikimedia Commons / Federalreserve
O dólar fechou em alta nesta terça-feira (18) frente ao real, em uma sessão marcada pela aversão ao risco nos mercados internacionais diante de novas tensões no Oriente Médio e da cautela dos investidores às vésperas da divulgação da ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.
A moeda norte-americana à vista encerrou o pregão com valorização de 0,44%, cotada a R$5,2229 na venda. Já o contrato de dólar futuro para setembro, atualmente o mais negociado no mercado brasileiro, subia 0,29% na B3 às 17h54, sendo negociado a R$5,2375.
Cenário internacional pressiona a moeda
No exterior, o índice do dólar, que mede o desempenho da divisa americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,13%, atingindo a marca de 99,663 pontos por volta das 17h50. A moeda dos Estados Unidos também registrava ganhos em relação a divisas de países emergentes comparáveis ao Brasil, como o peso chileno e o peso mexicano.
O noticiário geopolítico dominou as atenções dos investidores ao longo do dia, após o Irã declarar que passará a adotar uma postura militar considerada 'totalmente ofensiva'. A informação foi repassada à agência Reuters por uma autoridade iraniana de alto escalão, que justificou a mudança de postura pela estagnação dos esforços diplomáticos para encerrar definitivamente o conflito entre o país e os Estados Unidos.
Os temores relacionados à escalada de tensões no Oriente Médio se somaram à cautela generalizada do mercado antes da divulgação da ata do Federal Reserve, prevista para esta quarta-feira (19). O documento deve trazer sinalizações mais claras sobre os próximos passos da autoridade monetária americana em relação à trajetória dos juros no país.
Dados econômicos dos EUA e expectativas para os juros
Informações divulgadas nas últimas semanas, incluindo perdas inesperadas de vagas de emprego no mês passado e índices de inflação em ritmo mais moderado, têm indicado um enfraquecimento da economia americana. Esse cenário levou parte dos investidores a reduzir as apostas em uma nova elevação da taxa de juros por parte do Federal Reserve.
Apesar disso, analistas de mercado mantêm cautela quanto à possível trajetória futura da inflação americana, especialmente em um contexto no qual o Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado e o conflito entre Estados Unidos e Irã segue em plena ebulição, com risco de novos desdobramentos.
Eleições no Brasil também pesam sobre o câmbio
No cenário doméstico, o início da campanha eleitoral no Brasil tem gerado uma pressão negativa adicional sobre o real, afastando investidores estrangeiros do país. Esse movimento já vinha sendo observado ao longo da última semana e contribui para a volatilidade da moeda brasileira frente ao dólar.
"Estamos em período pré-eleição. Isso já traz muita volatilidade. Mas o principal fator da semana é a divulgação da ata do Fed, e ainda temos a escalada das tensões no Oriente Médio", disse Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos.
Próximos passos para o mercado
Os investidores devem manter o foco nos próximos dias na divulgação da ata do Federal Reserve, que pode trazer mais clareza sobre os rumos da política monetária americana e, consequentemente, influenciar o comportamento do dólar frente a moedas de países emergentes, incluindo o real brasileiro. A continuidade das tensões no Oriente Médio e o avanço do calendário eleitoral no Brasil também devem permanecer como fatores de atenção para o mercado de câmbio nas próximas semanas.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de Notícias Agrícolas)