Itaú BBA eleva preço-alvo da Copasa em quase 50% após privatização da companhia
Banco vê início de nova fase para a estatal mineira de saneamento, com ciclo de investimentos recorde e ganhos de eficiência até 2041
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O banco de investimentos Itaú BBA elevou o preço-alvo das ações da Copasa (CSMG3), companhia de saneamento básico de Minas Gerais, de R$ 55,90 para R$ 82,50, um aumento de quase 50%. A recomendação para o papel foi mantida em outperform, classificação equivalente a uma indicação de compra, que sinaliza expectativa de desempenho acima da média do mercado. A revisão foi divulgada nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, e reflete a avaliação do banco de que a empresa está em plena transformação após o processo de privatização.
Segundo a instituição financeira, a Copasa ingressa agora no ciclo de investimentos mais relevante de sua história, impulsionado por um conjunto de fatores que, combinados, sustentam a visão otimista sobre o papel: aceleração no crescimento da base de ativos da companhia, um ambiente regulatório favorável e a obtenção de ganhos expressivos de eficiência operacional.
Regulação favorável e ganhos de eficiência
A análise foi conduzida pela equipe de analistas liderada por Fillipe Andrade, do Itaú BBA. De acordo com o time, as exigências relacionadas à universalização do saneamento básico, somadas aos incentivos previstos no marco regulatório do setor e à redução de custos operacionais, criam condições para que a Copasa alcance retornos superiores ao parâmetro regulatório de referência por um período superior a dez anos.
O banco também destaca que a Copasa opera atualmente sob um dos modelos regulatórios considerados mais atrativos entre as empresas do setor de utilities no Brasil. Esse modelo prevê reconhecimento dos investimentos realizados pela companhia, um retorno regulatório sobre o capital investido em patamar elevado e incentivos específicos vinculados a três frentes: avanço na universalização dos serviços, melhoria na qualidade do atendimento prestado à população e ganhos de eficiência operacional.
Base de ativos deve quase dobrar até 2033
Entre as projeções apresentadas pelo Itaú BBA, uma das mais expressivas é a estimativa de que a base regulatória de ativos da Copasa praticamente dobre até o ano de 2033, já descontados os efeitos da inflação, ou seja, em termos reais. Esse crescimento seria impulsionado diretamente pelos investimentos necessários ao cumprimento das metas de universalização do fornecimento de água e do tratamento de esgoto na área de atuação da companhia.
Ao mesmo tempo, a mudança para o controle privado deve permitir que a Copasa capture, de forma mais eficiente, a maior parte dos ganhos decorrentes da redução de despesas operacionais. Segundo o banco, esse processo de captura de eficiências deve se estender até o ano de 2041, ampliando o horizonte de geração de valor da companhia para os acionistas.
Potencial de expansão além da atual área de concessão
O relatório do Itaú BBA também chama atenção para um potencial de crescimento adicional da Copasa, que vai além do ciclo de investimentos já em curso. Segundo os analistas, existem municípios em Minas Gerais que atualmente não integram a área de concessão da companhia e que podem vir a demandar novos investimentos.
A estimativa do banco é de que esses municípios ainda fora da concessão possam exigir cerca de R$ 34 bilhões em investimentos em serviços de saneamento. Caso esse cenário se concretize, o ciclo de expansão da Copasa poderia se estender para além do horizonte de 2033 já projetado, ampliando ainda mais o tamanho e a relevância da companhia no setor.
Retorno estimado aos preços atuais
Com base nas projeções financeiras e nos fundamentos apresentados, o Itaú BBA calculou o retorno esperado para o investimento nas ações da Copasa considerando os preços de mercado praticados atualmente. De acordo com o banco, a taxa interna de retorno (TIR) real estimada para a companhia é de 13,7%.
O movimento de revisão do preço-alvo e a manutenção da recomendação de compra reforçam a expectativa do mercado financeiro em relação ao desempenho da Copasa no período pós-privatização, com o banco sinalizando confiança na capacidade da companhia de sustentar crescimento e rentabilidade ao longo da próxima década, à medida que avança no cumprimento das metas de universalização do saneamento em Minas Gerais.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InfoMoney)