Ibovespa sobe mais de 2% após recompra de títulos pelo Tesouro dos EUA
Índice brasileiro recupera fôlego após sequência de 11 pregões negativos, impulsionado por alta de Vale e Petrobras
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O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, opera em alta nesta quarta-feira (19), interrompendo uma sequência de 11 fechamentos consecutivos no vermelho. Por volta das 11h13, o indicador subia 2,13%, aos 169.870,48 pontos. Já às 12h47, a alta havia recuado para 1,38%, com o índice marcando 168.638,32 pontos. Durante o pregão, o Ibovespa chegou a bater a máxima de 170 mil pontos. O contrato futuro do índice com vencimento mais próximo, em 14 de outubro, também avançava, com acréscimo de 1,61% no mesmo horário.
Recompra de títulos pelo Tesouro americano impulsiona bolsa
O movimento de alta na B3 é atribuído, em parte, à recompra de títulos de longo prazo realizada pelo Tesouro dos Estados Unidos. A medida ocorre em meio à busca de investidores globais por sinais sobre o rumo das taxas de juros americanas, após a forte queda registrada pelos títulos públicos dos EUA na terça-feira (18).
O anúncio do Tesouro americano foi feito depois que os rendimentos (yields) dos títulos de 30 anos voltaram a atingir, nesta semana, os patamares mais altos desde 2007. A recompra ativa de papéis por parte da autoridade monetária americana tem efeito direto sobre os preços e as taxas desses ativos.
"Quando o Tesouro anuncia que vai comprar ativamente esses papéis, ele gera uma demanda artificial que eleva o preço dos títulos. Como o preço e a taxa de retorno caminham em direções opostas, essa recompra força os yields para baixo", explica a analista Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Dólar recua e fluxo estrangeiro volta a favorecer o Brasil
Como reflexo do movimento nos títulos americanos, o dólar recua nesta sessão tanto frente ao real quanto em relação a outras moedas globais, em razão da expectativa de queda futura dos juros nos Estados Unidos. Esse cenário tem contribuído para reverter o fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira, que vinha negativo nas últimas semanas.
Até a última sexta-feira, o saldo do fluxo de investidores estrangeiros no mês de agosto estava negativo em R$ 18,1 bilhões, um dos fatores que vinham pressionando o desempenho do Ibovespa nas semanas anteriores.
Mercado aguarda ata do Fed para novas pistas sobre juros
As atenções do mercado agora se voltam para a divulgação da ata da última reunião do Federal Open Market Committee (FOMC), comitê de política monetária do Federal Reserve, o banco central americano. O documento deve trazer mais detalhes sobre o processo de decisão que manteve os juros nos Estados Unidos no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Quando o resultado da última reunião foi anunciado, a ausência de comentários mais claros por parte do chairman do Fed, Kevin Warsh, fez com que os rendimentos dos títulos mais longos voltassem a acelerar, gerando instabilidade nos mercados globais.
Vale e Petrobras lideram alta das blue chips
Entre as principais responsáveis pela recuperação do índice brasileiro estão as ações da Vale (VALE3), que avançavam 2,8% no pregão desta quarta-feira, acompanhando a valorização dos futuros do minério de ferro no mercado internacional. Em alguns momentos do dia, a valorização da mineradora superou os 2,5%.
A Petrobras (PETR4) também contribuiu de forma significativa para o desempenho positivo do Ibovespa, com alta de 3%, impulsionada pela valorização dos preços do petróleo no mercado externo.
Sequência de perdas e cenário de incerteza
A recuperação desta quarta-feira ocorre após o Ibovespa acumular uma queda de 6,55% ao longo dos últimos 11 pregões, período em que o índice registrou a maior sequência de perdas diárias consecutivas desde 2023.
O declínio recente do índice brasileiro tem como pano de fundo, além da saída de capital estrangeiro, as incertezas em torno do cenário eleitoral no Brasil, as expectativas sobre a trajetória futura dos juros e também fatores ligados ao contexto geopolítico internacional.
"O mercado continua dividido entre a desaceleração da atividade, que favorece novos cortes da Selic, e o aumento do prêmio de risco provocado pelo cenário fiscal e eleitoral", avalia o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora.
A avaliação de Mollo resume o dilema enfrentado pelos investidores no momento: de um lado, sinais de desaceleração econômica que abrem espaço para novos cortes na taxa básica de juros brasileira, a Selic; de outro, a percepção de maior risco fiscal e político, que tende a pressionar os ativos brasileiros.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InfoMoney)