Viridis estima investimento de US$ 449 milhões para produzir terras raras em Minas Gerais até 2028
Estudo definitivo de viabilidade do projeto Colossus, em Poços de Caldas, prevê início da produção no segundo semestre de 2028 e nova captação de até US$ 120 milhões
Wikimedia Commons / Plovisanta
A Viridis Mining and Minerals estima em US$ 449 milhões o investimento necessário para colocar em produção o projeto Colossus, dedicado à extração de terras raras em Poços de Caldas, em Minas Gerais. A companhia prevê iniciar a produção no segundo semestre de 2028, conforme o estudo definitivo de viabilidade (DFS, na sigla em inglês) divulgado nesta quinta-feira (20).
Etapa decisiva para o projeto
A conclusão do DFS representa uma das principais etapas para que um empreendimento mineral deixe a fase de estudos e avance rumo à decisão final de investimento e à construção efetiva da mina. É justamente nessa fase que são consolidadas, com maior grau de precisão, as estimativas de investimento e de custos operacionais, além de dados sobre reservas minerais, engenharia do projeto, desempenho metalúrgico esperado e projeções econômicas de longo prazo — informações que também serão analisadas pelos bancos responsáveis pelo financiamento da iniciativa.
Segundo a companhia, a conclusão do estudo fornece aos potenciais credores parâmetros definitivos sobre custos, volume de reservas e desempenho econômico, elementos essenciais para a análise de crédito. A Viridis afirma que pretende receber propostas de financiamento e avançar nas aprovações dos credores até o fim de setembro deste ano.
Produto final com maior valor agregado
O material que será produzido no Colossus é um carbonato misto refinado de terras raras, conhecido pela sigla em inglês MREC. Isso significa que a Viridis não pretende apenas extrair o minério bruto e exportá-lo sem qualquer processamento — o projeto contempla uma etapa industrial de concentração das terras raras em um produto intermediário, que será posteriormente destinado a processos de separação e transformação em outras plantas.
A rota de processamento foi modificada em relação ao estudo anterior, com o objetivo de retirar parte do lantânio, elemento de menor valor comercial, e aumentar proporcionalmente a presença das terras raras magnéticas, que possuem maior valor de mercado. De acordo com os novos cálculos, o MREC projetado terá aproximadamente 63,9% de óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr) e 2,8% de disprósio e térbio (DyTb). A produção média estimada é de cerca de 2.967 toneladas por ano de óxidos de terras raras magnéticas, somando os elementos neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Esses quatro elementos estão entre os mais importantes insumos para a fabricação de ímãs permanentes, componentes utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e aplicações do setor de defesa. A estratégia da Viridis é produzir no Brasil um material já processado e com maior concentração desses elementos, antes de enviá-lo para as etapas seguintes da cadeia produtiva global.
A companhia informou que mantém negociações comerciais com potenciais compradores localizados na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia. Além disso, já avançou nos termos para firmar um acordo de compra da produção com a francesa Solvay, empresa que atua na separação e no processamento de terras raras.
Cronograma até o início da produção em 2028
O cronograma apresentado no estudo prevê a primeira produção no segundo semestre de 2028, com aumento gradual da capacidade ao longo dos anos seguintes. A Viridis já concluiu licitações para parte dos principais equipamentos do projeto, mantém negociações para contratos de fornecimento e já contratou a conexão do empreendimento à rede de alta tensão de energia elétrica.
De acordo com o estudo, o projeto Colossus possui atualmente 200,1 milhões de toneladas de reservas minerais, com teor médio de 2.894 partes por milhão (ppm) de óxidos totais de terras raras. Desse total, 27,4 milhões de toneladas estão classificadas como reservas provadas, enquanto 172,7 milhões de toneladas são classificadas como reservas prováveis.
Ainda que o estudo econômico do projeto considere, em sua base de cálculo, um horizonte inicial de 25 anos de produção, o planejamento das reservas indica potencial para aproximadamente 41 anos de operação, mantendo a capacidade nominal de processamento prevista para o empreendimento.
Projeções econômicas e retorno do investimento
Utilizando o cenário de preços à vista praticados atualmente no mercado, a Viridis estima que o Colossus possa gerar US$ 8,54 bilhões em receita ao longo dos 25 anos considerados no estudo. O valor presente líquido do projeto, já descontados os impostos, é estimado em US$ 1,196 bilhão, com taxa interna de retorno de 36,4%. A companhia projeta ainda que o investimento inicial será recuperado em 2,7 anos após o começo da produção.
Nova captação de recursos
Junto com a divulgação do estudo definitivo de viabilidade, a Viridis anunciou compromissos para uma nova captação de até US$ 120 milhões em capital, recursos que serão destinados a financiar o avanço do projeto Colossus.
Desse total, até US$ 75 milhões serão aportados pela gestora One Investment Management. Outros US$ 40 milhões foram comprometidos por um grupo de investidores estratégicos, enquanto as gestoras ORE Investments e Régia Capital anteciparam uma parcela adicional de US$ 5 milhões referente a um acordo já existente entre as partes.
A estrutura financeira desenhada pela companhia prevê que aproximadamente 70% do investimento total seja financiado por dívida, e os 30% restantes por capital próprio. Considerando o CAPEX total de US$ 449 milhões, essa divisão representa uma necessidade estimada de cerca de US$ 135 milhões em equity. Levando em conta a nova captação anunciada, os recursos ainda disponíveis do acordo com ORE Investments e Régia Capital e o caixa atual da companhia, a Viridis afirma já ter identificado fontes suficientes para cobrir essa parcela de capital próprio.
Próximos passos até a decisão final
A empresa ainda precisa concluir o pacote de dívida junto às instituições financeiras, transformar as negociações em andamento sobre a venda da produção em um contrato vinculante, obter a licença de instalação junto aos órgãos ambientais competentes e, por fim, tomar a decisão final de investimento, conhecida no setor pela sigla FID.
A expectativa da companhia é avançar para essa decisão final de investimento ainda no quarto trimestre deste ano e, a partir daí, seguir para a fase de construção do projeto, com vistas ao início da produção no segundo semestre de 2028, conforme cronograma apresentado no estudo definitivo de viabilidade.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de CNN Brasil)