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Gerdau: possível acordo entre EUA e Canadá preocupa menos do que sugere queda nas ações

UBS BB e Bradesco BBI avaliam que impacto de eventual redução de tarifas sobre aço canadense seria limitado para a siderúrgica

Gerdau: possível acordo entre EUA e Canadá preocupa menos do que sugere queda nas ações

Pexels / Willians Huerta

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A Gerdau (GGBR4) pode estar menos exposta aos efeitos de uma eventual redução das tarifas americanas sobre o aço canadense do que a reação do mercado sugere. É essa a avaliação do banco UBS BB, que destaca a baixa participação de Canadá e México nas importações de vigas e MBQ (barras de aço para construção mecânica), principais produtos da companhia comercializados no mercado americano.

Os papéis da siderúrgica gaúcha fecharam em queda superior a 5% na quarta-feira, dia 19 de agosto de 2026, após a divulgação de notícias indicando que os Estados Unidos podem reduzir de 50% para 25% a tarifa cobrada sobre o aço importado do Canadá. Apesar da forte reação negativa do mercado, o banco UBS BB pondera que os dados de demanda e comércio no setor indicam que o impacto real sobre a Gerdau pode ser bem mais limitado do que o movimento das ações sugere.

Baixa participação de Canadá e México nas importações

Segundo o levantamento do UBS BB, no caso das vigas de aço, as exportações canadenses representam apenas 0,5% da demanda total dos Estados Unidos em 2026, enquanto as exportações mexicanas respondem por 1,2% desse mercado. Já em relação ao MBQ, as participações desses dois países são de 3,1% para o Canadá e 1,1% para o México.

Diante desses números, o banco argumenta que mesmo uma redução das tarifas americanas sobre o aço canadense não provocaria necessariamente uma inundação do mercado dos Estados Unidos por produtos importados, já que a fatia ocupada por Canadá e México ainda é relativamente pequena diante do consumo total americano.

Demanda aquecida oferece margem de absorção

Outro ponto considerado favorável pelo UBS BB é o comportamento da demanda por aço nos Estados Unidos. O consumo aparente de vigas no país cresce 14% no ano, enquanto os embarques domésticos avançam em ritmo menor, de 7%. Esse crescimento da demanda é impulsionado principalmente pela construção não residencial e pelos investimentos em data centers, setores que têm consumido volumes crescentes de aço estrutural.

Esse cenário de demanda aquecida sugere que há espaço no mercado americano para absorver volumes adicionais de importação, sem necessariamente prejudicar de forma significativa a produção doméstica ou as empresas que atuam no país, caso do braço americano da Gerdau. O banco reforça ainda que as importações de vigas já subiram 60% mesmo com as tarifas atuais de 50% em vigor, o que indica que a demanda tem sido forte o suficiente para absorver aço estrangeiro mesmo sob taxação elevada.

Risco maior estaria em mudança ampla na política comercial

O UBS BB pondera que o principal risco para a Gerdau não está propriamente numa eventual redução isolada da tarifa sobre o aço canadense, mas sim na possibilidade de uma mudança mais ampla na política comercial americana, que também beneficiasse o México e outros parceiros comerciais dos Estados Unidos com tarifas menores.

Ainda assim, o banco pondera que a eventual adoção de cotas de importação por parte do governo americano poderia limitar o impacto sobre o mercado, mesmo em um cenário de redução tarifária mais abrangente.

Dessa forma, o UBS BB considera que a notícia sobre a possível redução das tarifas é negativa para a tese de investimento em Gerdau, mas não o suficiente para desmontá-la por completo. O banco mantém recomendação de compra para as ações da companhia, destacando que a manchete divulgada pela imprensa parece pior do que os fundamentos do setor realmente indicam.

Bradesco BBI vê acordo isolado como levemente positivo

Já o Bradesco BBI, em análise própria, avalia que um eventual acordo isolado envolvendo apenas o fornecimento de aço entre Estados Unidos e Canadá pode até ser levemente positivo para a Gerdau. Isso porque a companhia exporta parte de sua produção realizada no Canadá para os Estados Unidos, enquanto as exportações canadenses de aço longo para o mercado americano permanecem relativamente insignificantes em termos de volume.

Por outro lado, o banco chama atenção para um risco mais relevante: o mercado está cada vez mais considerando a possibilidade de um acordo comercial mais amplo, relacionado ao USMCA (acordo de livre comércio entre Estados Unidos, México e Canadá), que também poderia beneficiar o México com redução de tarifas. Esse cenário seria negativo para a Gerdau, dada a escala muito maior das exportações mexicanas de aço em direção aos Estados Unidos, em comparação com as exportações canadenses.

"Embora a estrutura final permaneça incerta, qualquer resultado que aumente o fluxo de aço mexicano para os EUA provavelmente intensificaria a pressão competitiva no principal mercado da Gerdau e afetaria as expectativas de lucros", conclui o Bradesco BBI em relatório.

Próximos passos

Até o momento, não há confirmação oficial por parte do governo americano sobre a redução da tarifa de 50% para 25% sobre o aço canadense, tampouco sobre um possível acordo mais amplo envolvendo o México e o USMCA. O mercado deve seguir monitorando novos desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos em relação aos parceiros do acordo de livre comércio norte-americano, fator que pode voltar a impactar as ações da Gerdau na bolsa brasileira nos próximos dias.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InfoMoney)

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