Cosan confirma extensão de prazo para venda de fatia na Rumo
Holding de Rubens Ometto está em fase de recebimento de propostas vinculantes por sua participação de 20,3% na operadora ferroviária, avaliada em R$ 5,3 bilhões
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A Cosan confirmou nesta quinta-feira (20) a extensão do prazo de recebimento de ofertas pela sua participação na Rumo, operadora de ferrovias, informação que já havia sido antecipada pelo InvestNews no início de agosto. A confirmação foi feita por meio de um fato relevante divulgado ao mercado.
De acordo com o documento, o grupo controlado pelo empresário Rubens Ometto está em pleno processo de recebimento de propostas vinculantes de empresas interessadas na aquisição de sua fatia na companhia. A holding, no entanto, ressaltou que não há qualquer decisão tomada até o momento sobre a efetiva realização de uma transação.
Interessados na disputa
Entre as empresas que demonstraram interesse na compra da participação da Cosan na Rumo estão duas gigantes do setor de tradings agrícolas: a chinesa Cofco e a norte-americana Bunge. Outras companhias, como a Inpasa e a Ultra, chegaram a se engajar nas tratativas do negócio, mas estariam fora da disputa neste momento.
Atualmente, a fatia de 20,3% que a Cosan detém na operadora ferroviária está avaliada em R$ 5,3 bilhões. A venda dessa participação faz parte da estratégia da holding para reduzir seu endividamento e reorganizar suas operações.
Estratégia de redução de dívida
A Cosan é um conglomerado brasileiro com atuação em diversos setores, entre eles energia, infraestrutura e logística. A holding controla marcas como Raízen, Compass e Moove. Em meio a um processo de reestruturação, a companhia trabalha para vender R$ 10 bilhões em ativos, com o objetivo de tornar o grupo criado por Rubens Ometto novamente saudável financeiramente, ainda que em uma escala menor do que já teve no passado.
O prazo para a venda de ativos começou a correr em novembro de 2025, quando se encerrou a segunda oferta da capitalização que trouxe os sócios do BTG Pactual e a gestora Perfin para o bloco de controle da Cosan. A meta estabelecida pela companhia é equalizar sua dívida em um período de 18 meses, com prazo final em maio de 2027.
Valores já arrecadados
Até o momento, a Cosan já arrecadou cerca de R$ 5,5 bilhões em uma série de operações realizadas desde dezembro. Desse total, pelo menos R$ 3 bilhões vieram de duas transações específicas: o IPO de sua empresa de gás natural, a Compass, realizado em maio, e a venda de 12% do portfólio de terras agrícolas da Radar, sociedade entre o grupo de Ometto e a gestora norte-americana Nuveen, concluída em meados de junho.
Essa última operação, envolvendo a Radar, acabou se transformando em um imbróglio entre duas gigantes do agronegócio brasileiro, a Bom Futuro e a SLC, que disputaram o negócio.
Além desses valores, a Cosan levantou R$ 2,8 bilhões no fim de 2025 por meio de um instrumento financeiro conhecido como total return swap. A operação envolveu 9,94% da participação da holding na Rumo e representou uma forma de antecipar caixa para a companhia, mantendo, ao mesmo tempo, a exposição econômica ao papel da operadora ferroviária.
O desfecho do processo de venda da fatia remanescente na Rumo, agora com prazo estendido para recebimento de propostas vinculantes, deve ser um dos próximos capítulos do plano de reestruturação financeira conduzido pela Cosan, que segue buscando equilibrar suas contas dentro do cronograma estabelecido junto aos novos sócios do bloco de controle.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InvestNews)