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Petrobras e Pemex se unem para buscar petróleo em rochas com 160 milhões de anos no Golfo do México

Empresas brasileira e mexicana avaliam dados geológicos de formação inexplorada na costa de Campeche, que pode rivalizar com os maiores campos do mundo

Petrobras e Pemex se unem para buscar petróleo em rochas com 160 milhões de anos no Golfo do México

Pexels / GANESH RAMSUMAIR

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A Petrobras e a Pemex, as duas maiores petroleiras da América Latina, iniciaram uma parceria de alto risco para tentar acessar uma vasta reserva de petróleo escondida em rochas que não veem a luz do dia há 160 milhões de anos, localizadas na crosta terrestre sob o Golfo do México. A camada geológica em questão é mais antiga, mais profunda e potencialmente mais rica em petróleo do que os megacampos atualmente em operação no mundo, mas seu acesso exige superar riscos físicos, financeiros e ambientais considerados extremos.

O desafio envolve perfurar quilômetros abaixo do leito marinho, atravessando camadas instáveis de rocha submetidas a altíssimas pressões. O alvo das duas companhias é uma formação geológica situada na costa do estado mexicano de Campeche, área que a Pemex já havia tentado explorar sem sucesso em 2018.

Essa região contrasta fortemente com os poços de alta produtividade encontrados do lado americano do Golfo do México, onde o petróleo está preso em rochas formadas há cerca de 20 milhões de anos — uma idade geológica muito mais recente. Agora, Petrobras e Pemex buscam perfurar formações rochosas oito vezes mais antigas, datadas de uma época em que dinossauros e moluscos ancestrais dominavam a terra e os mares.

Uma aposta estratégica para a Pemex

Para a Pemex, a iniciativa representa uma tentativa decisiva de revitalização em um momento delicado, marcado por uma pesada dívida, queda na produção de petróleo e uma reputação de ineficiência e riscos operacionais. A companhia mexicana busca reverter décadas de declínio e recuperar parte do protagonismo que já teve na economia do país.

O esforço conjunto também tem relevância para o mercado global de petróleo. A guerra no Irã e outras perturbações geopolíticas no Oriente Médio expuseram os riscos de concentrar uma parcela tão significativa da oferta mundial de petróleo em uma única região, reforçando o interesse por novas fronteiras de exploração fora do eixo tradicional.

O que torna essas formações mais antigas atrativas é o fato de serem chamadas de rochas geradoras — camadas onde matéria orgânica foi comprimida, aquecida e transformada diretamente em petróleo ao longo de milhões de anos. Em contraste, as rochas mais jovens funcionam apenas como bolsões onde vazamentos provenientes das rochas geradoras ficaram presos ao longo do tempo, oferecendo reservas geralmente menores.

Território desconhecido para a Petrobras

Equipes das duas empresas começaram, nas últimas semanas, a analisar dados sísmicos e outras informações geológicas com o objetivo de realizar um feito que a Petrobras nunca havia alcançado fora do território brasileiro.

"A Petrobras está entrando em território desconhecido", disse Pedro Zalan, geólogo que trabalhou em projetos de exploração durante 34 anos na empresa. Segundo ele, a geologia do lado mexicano do Golfo "é particularmente favorável ao acúmulo de petróleo".

A companhia brasileira tem experiência única na exploração de rochas geradoras em uma camada da crosta terrestre que os geólogos chamam de pré-sal. Uma série de descobertas offshore gigantescas na região do Rio de Janeiro, iniciada em 2006, deu início a um ciclo de transformação na produção de petróleo do Brasil, elevando o país à condição de potência energética regional.

Tentativas posteriores de outras empresas de reproduzir esse sucesso em formações de pré-sal em Angola, Gabão e República do Congo, no entanto, fracassaram em grande parte, o que evidencia a singularidade da experiência brasileira.

Tecnologia e capital em jogo

"A Pemex, sozinha, não tem a tecnologia nem o capital necessários para esse tipo de projeto", afirmou Mark Rowan, geólogo e consultor do Colorado especializado em descobertas em águas profundas no Golfo do México. "Mas o fato de ser de alto risco não significa que não haja hidrocarbonetos ali. As empresas estão dispostas a perfurar áreas muito arriscadas e a ser pioneiras porque as possíveis recompensas, se der certo, são enormes."

Em 2018, a Pemex perfurou mais de 7.800 metros abaixo do leito marinho e atravessou a camada de sal de Campeche. Embora o poço exploratório tenha sido classificado como improdutivo, isso não significa necessariamente que o esforço tenha sido inútil — na linguagem do setor, os dados e conhecimentos obtidos com a perfuração podem fornecer pistas valiosas para os geólogos e engenheiros da Petrobras e da Pemex na atual fase de análise.

"Aparentemente, o que a Pemex encontrou não foi suficiente para fazê-la desistir", disse Rowan. "Isso sugere que não havia nenhum fator que inviabilizasse completamente o projeto e, possivelmente, que havia algo que lhes deu uma razão concreta para continuar testando."

Os obstáculos técnicos e financeiros

Mesmo que haja petróleo sob a camada de sal, levá-lo à superfície representa um desafio à parte. Sob altas temperaturas e pressões em grandes profundidades, o sal se comporta mais como um líquido do que como um sólido, o que exige equipamentos e técnicas especializados para que a perfuração consiga atravessá-lo com segurança.

Além do desafio geológico, os poços precisam se mostrar economicamente viáveis. A perfuração em águas profundas pode facilmente custar centenas de milhões de dólares por poço, o que exige um planejamento financeiro rigoroso e parcerias sólidas entre as duas estatais.

Segundo Sylvia Anjos, diretora de exploração e produção da Petrobras, durante entrevista coletiva realizada em 7 de agosto, além de explorar a região do pré-sal, as empresas planejam procurar petróleo sob rochas sedimentares formadas por avalanches de lama e areia a quilômetros abaixo da superfície do mar. A investigação também vai incluir formações de sal mais jovens e rasas na mesma área do Golfo do México.

Superpetroleiras como Chevron e Shell produzem petróleo de campos chamados de subsal há mais de 30 anos. Embora essas reservas estejam situadas sob águas muito profundas e também apresentem uma série de riscos, perfurar os recursos de pré-sal muito mais antigos que Petrobras e Pemex estão buscando representa um nível ainda maior de complexidade e risco técnico.

O que está em jogo

Uma descoberta comparável ao campo de Tupi, encontrado pela Petrobras em 2006, seria o desenvolvimento mais importante da história de 88 anos da Pemex. Isso ajudaria a concretizar o objetivo perseguido por sucessivos presidentes mexicanos e presidentes-executivos da companhia: revitalizar a produção da estatal, que já foi considerada a joia da economia do país.

No Brasil, a exploração das reservas do pré-sal provocou um salto na produção de petróleo e transformou uma economia até então amplamente dependente das exportações agrícolas em uma potência energética regional. O campo de Tupi, isoladamente, já produziu 4 bilhões de barris de petróleo desde que entrou em operação, em 2010 — volume que representa mais de US$ 300 bilhões em valor econômico, considerando os preços médios internacionais do petróleo registrados no período.

"Depende muito do que os dados do poço de pré-sal perfurado pela Pemex em 2018 realmente mostram, e a empresa manteve os resultados desse estudo sob sigilo", disse Jon Blickwede, geólogo e proprietário da Teyra GeoConsulting, de Houston. "Se a Pemex encontrou qualquer indício de hidrocarbonetos, seja gás ou petróleo, sob a camada de sal, isso seria extremamente significativo."

A parceria entre Petrobras e Pemex segue, portanto, em fase inicial de análise de dados sísmicos e geológicos, sem prazo definido para eventuais novas perfurações. O resultado desse trabalho conjunto poderá redefinir o potencial energético do Golfo do México e influenciar diretamente o futuro produtivo das duas estatais latino-americanas.

Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InvestNews)

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