Bitcoin sobe 11% e ethereum dispara 20% após anúncio do Tesouro dos EUA
Medida de Scott Bessent para recompra de títulos longos impulsiona apetite por risco e provoca liquidação bilionária de apostas contra as criptomoedas
Wikimedia Commons / Grayliptrot
As criptomoedas entraram em um forte movimento de alta nesta quinta-feira (20). O bitcoin (BTC) avançou 11% no dia, ultrapassando os US$ 72 mil, enquanto o ethereum (ETH) disparou quase 20%, chegando a US$ 2.279,43. Com exceção de duas criptomoedas pouco conhecidas, todos os demais ativos digitais também registraram avanço na manhã desta quinta-feira.
O que motivou a alta
O estopim do movimento partiu dos Estados Unidos. Na quarta-feira (19), Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano, anunciou que o governo vai dobrar o volume das operações de recompra de títulos públicos com vencimentos mais longos. Após o anúncio, o rendimento do Treasury de 30 anos recuou cerca de 0,1 ponto percentual.
Segundo o Tesouro dos Estados Unidos, a medida tem como objetivo oferecer maior suporte de liquidez aos títulos de longo prazo. Para os investidores, o cenário resultante ficou mais favorável para a busca por ativos considerados de maior risco, como as criptomoedas.
"Ao flexibilizar as condições para títulos do Tesouro de longo prazo, a medida está proporcionando um cenário mais favorável para a tomada de risco e a especulação de curto prazo em criptomoedas", afirmou Paul Howard, diretor sênior da Wincent, em comunicado.
Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, avalia que a interpretação do mercado é a de que os juros de longo prazo haviam subido além do esperado, forçando uma intervenção do governo americano — o que, segundo ele, reforça a tese das criptomoedas como proteção diante desse cenário.
"A alta do bitcoin hoje não é apenas um movimento de preço. É uma reação direta à percepção de que o sistema financeiro tradicional está exigindo cada vez mais suporte para lidar com dívida, juros e liquidez. E esse é exatamente o tipo de cenário em que a tese do BTC como ativo escasso ganha força", disse Fontes.
ETFs registram forte entrada de recursos
O movimento de alta não se deu apenas por compras diretas de criptomoedas, mas também por meio de fundos negociados em bolsa (ETFs). Os ETFs de bitcoin nos Estados Unidos registraram US$ 517,19 milhões em entradas líquidas na quarta-feira (19), o maior volume desde 4 de maio, de acordo com dados da plataforma SoSoValue.
O destaque entre os fundos foi o IBIT, gerido pela BlackRock, que recebeu US$ 284,74 milhões em aportes. Na sequência, o ARKB, da Ark Invest em parceria com a 21Shares, teve entrada de US$ 77,71 milhões, enquanto o FBTC, da Fidelity, registrou US$ 62,41 milhões.
Os fundos de ethereum também tiveram desempenho positivo, captando US$ 189,1 milhões e completando o terceiro dia consecutivo de entradas líquidas. Os ETFs vinculados ao XRP (XRP) e à solana (SOL) igualmente registraram ingresso de recursos na quarta-feira.
Hyperliquid entra no maior ETF de cripto da bolsa brasileira
O HASH11, maior ETF de criptomoedas negociado na bolsa brasileira, realiza a cada três meses o rebalanceamento de sua carteira, processo em que o fundo pode retirar determinados tokens, incluir outros ou alterar os pesos de cada ativo dentro da composição.
Na mais recente revisão, o fundo decidiu incorporar uma nova criptomoeda à carteira: a hyperliquid (HYPE). O ativo digital já acumula valorização de 150% apenas neste ano. A mudança na composição do HASH11 entra em vigor no dia 1º de setembro.
Coinbase amplia negociação entre real e stablecoin
O Brasil segue sendo tratado como mercado estratégico por diversas empresas estrangeiras do setor, que frequentemente lançam novas alternativas voltadas a investidores locais. A exchange Coinbase passou a permitir a negociação direta entre o real e a stablecoin USDC — a segunda maior do mercado em valor — dentro de sua plataforma voltada a usuários que buscam ferramentas e recursos mais avançados.
Apostas contra as criptomoedas sofrem liquidação bilionária
O rali também trouxe prejuízos pesados para investidores que apostavam na queda dos preços. No mercado financeiro, seja em criptoativos ou em ativos tradicionais, esses investidores são chamados de short sellers, ou vendedores a descoberto, e costumam operar por meio de derivativos e posições alavancadas.
Com a disparada do bitcoin e de outras criptomoedas, quem apostava na baixa registrou perdas expressivas. Ao todo, US$ 2,7 bilhões em posições vendidas foram liquidados nas últimas 24 horas, configurando a maior onda de encerramentos forçados desse tipo de posição desde 2021.
Por: Redação Tá Sabendo MT (Redação Tá Sabendo MT, com informações de InvestNews)